10 de julho de 2026
FIM DA NOVELA?

'Esqueleto': Prefeitura quer trocar prédio por unidades de saúde

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Reprodução/Kairo de Paula/Housefilms4k
Prédio inacabado conhecido como 'Esqueleto', visto do alto

Localizado em uma das esquinas mais valorizadas de Franca, no cruzamento da avenida Adhemar Polo Filho com a rua Maria Martins Araújo, o prédio inacabado conhecido como “Esqueleto” contrasta com o padrão do Jardim Lima. A estrutura de sete andares, cujas obras começaram em 1991 e nunca terminaram, tornou-se um símbolo de descaso urbano e uma fonte constante de medo para a vizinhança.

O imóvel foi doado ao Estado em 1980, repassado ao Tribunal Regional Federal em 2006 e devolvido ao município em 2017, permanecendo sob guarda e responsabilidade do poder público municipal. A situação, que se arrasta há décadas, ganhou um novo capítulo trágico no dia 18 de janeiro, quando o corpo de Fernanda de Paula Galinto, de 38 anos, foi encontrado no local.

A Prefeitura de Franca informou que mantém negociações com o Governo do Estado para incluir o prédio em um processo de leilão, na modalidade de dação em pagamento. O objetivo é que o vencedor da licitação fique responsável pela construção de unidades de saúde para a população em troca do imóvel.

O Executivo explicou que, quando o prédio foi transferido ao município pelo Governo do Estado de São Paulo, ele já possuía uma destinação previamente definida, o que impõe restrições legais sobre sua utilização.

Para viabilizar a adoção de novos modelos de uso da área, como a realização de leilão na modalidade de dação em pagamento para a construção de unidades de saúde, é necessária a anuência do Governo do Estado. Essa anuência ampliará as possibilidades de cessão e destinação do imóvel.

“A Prefeitura segue em tratativas com o Estado de São Paulo, buscando viabilizar juridicamente a alternativa que melhor atenda ao interesse público e às necessidades da população”, informou a administração municipal.

Vizinhança refém do medo

Enquanto isso, os vizinhos vivem com medo. Mesmo com portões fechados, o acesso ao prédio é fácil, através de aberturas nas grades, transformando a estrutura em ponto de consumo de drogas e esconderijo.

Para Maria Helena Costa, aposentada de 68 anos, a rotina é de tensão constante. “O medo da gente é esse: você sai de casa preocupado e quem está lá em cima você não vê. Às vezes, a pessoa está observando a sua entrada e saída de casa, o movimento de pessoas, e sabe todos os horários“, diz a moradora.

A movimentação noturna também assusta o advogado João Carlos Mendes, de 42 anos, que reside na região. "Você chega à noite e fica com medo de sair na rua. Você sente que tem gente vigiando a sua casa", finalizou.