11 de janeiro de 2026
CASO COCAPIL

Alta do café levou produtores a descobrir o sumiço de sacas

Por Leonardo de Oliveira | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Reprodução
Galpões da Cocapil, cooperativa investigada; plantação de café

A disparada histórica no preço do café foi o fator decisivo para que produtores rurais de Ibiraci (MG) e da região descobrissem o desaparecimento de sacas depositadas na Cocapil (Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci). Com a valorização do grão, que saiu de patamares médios entre R$ 500 e R$ 700 por saca para valores acima de R$ 2.500, muitos cooperados decidiram retirar ou negociar o produto armazenado, dando início a uma sequência de questionamentos que culminou em investigações policiais e judiciais.

Segundo relatos que constam no inquérito, até então o café permanecia depositado nos armazéns da cooperativa como uma espécie de “reserva”, prática comum entre produtores que aguardam melhores condições de mercado. A mudança brusca no cenário, impulsionada por fatores como geadas, seca e redução da oferta, levou produtores a procurar a cooperativa para reaver suas sacas — momento em que surgiram as primeiras informações de que o café já não estava mais disponível.

Os documentos reunidos na investigação indicam que o café havia ingressado regularmente nos armazéns da Cocapil, com registros formais de depósito, notas fiscais, extratos de posição e certificados de pesagem. No entanto, vistorias e registros audiovisuais posteriores apontaram o esvaziamento dos depósitos, revelando que parte significativa do produto não se encontrava mais no local.

Depoimentos colhidos pela Polícia Civil relatam que produtores foram informados de que o café depositado teria sido utilizado para cobrir operações financeiras e dívidas da cooperativa. A partir dessas informações, surgiram suspeitas de uso indevido do produto, o que levou dezenas de produtores a registrar ocorrências policiais. Segundo levantamento citado no processo, o valor dos bens supostamente apropriados de forma irregular pode chegar a R$ 50 milhões, dentro de um passivo total estimado em cerca de R$ 100 milhões.

Prisão preventiva decretada 

Com o avanço das apurações, a Justiça de Minas Gerais entendeu que há indícios de fraude de grande magnitude e decretou a prisão preventiva do presidente da cooperativa, Elvis Vilhena Faleiros. A decisão judicial aponta risco de ocultação patrimonial, possibilidade de destruição de provas e impacto econômico relevante para a principal atividade produtiva do município. Também foram determinadas medidas de bloqueio e indisponibilidade de bens, com o objetivo de preservar o patrimônio para eventual ressarcimento das vítimas.

A defesa do ex-presidente contesta as acusações, afirma que a crise decorre de operações de trava de café realizadas em anos anteriores e sustenta que a alta abrupta do preço do grão inviabilizou contratos firmados quando o mercado operava em valores muito inferiores. Os advogados também ingressaram com pedido de habeas corpus, que ainda aguarda análise pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Enquanto o processo segue em tramitação, produtores relatam insegurança e perda de confiança no sistema cooperativista.