“Foi uma infelicidade arquitetônica o que foi proposto para a praça central.” O vereador Gilson Pelizaro (PT) criticou o resultado das obras realizadas nas praças Nossa Senhora da Conceição e Barão, ambas no Centro, durante a sessão desta terça-feira, 25, na Câmara Municipal de Franca. O parlamentar afirmou que o investimento poderia ter sido melhor aproveitado e sugeriu que os bancos antigos, que existiam antes da reforma, fossem recolocados nos locais.
O discurso foi feito após a praça Barão ser reaberta ao público na última sexta-feira, 21, depois de permanecer cercada por tapumes metálicos desde junho. A reforma do espaço – que inclui também a praça Nossa Senhora da Conceição – tem custo total de R$ 2.423.118,56, segundo a placa instalada no local. “O valor gasto dava para produzir um resultado muito melhor do que está sendo entregue”, disse Pelizaro.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura informou que, apesar da liberação do espaço, resta apenas um pequeno trecho onde os funcionários estão trabalhando. Os serviços que ainda deverão ser executados são: a conclusão do assentamento dos bancos e dos pisos de pedra portuguesa, onde foram demolidos os antigos canteiros; a finalização da calçada de concreto; a instalação dos obeliscos, bebedouros e lixeiras na Praça Barão; além de concluir a pintura das duas praças. Também foi construído um bicicletário.
“Se pegarmos fotos históricas da praça central, veremos que, décadas e décadas atrás, ela era muito mais simpática, muito mais bonita e muito mais agradável. É concreto puro, é concreto na veia. Não tem cabimento.”
Pelizaro voltou a falar sobre os bancos e sugeriu que os modelos antigos fossem reinstalados. "O que foi feito na praça central foi uma grande vergonha. Sugiro dar um passinho atrás, uma recuada, não é feio. Se precisar destruir esses bancos e voltar a ter uma arquitetura agradável, que faça."
Outra sugestão apresentada foi a realização de concursos públicos para escolher os projetos de obras de infraestrutura que impactam diretamente a população. "Tem que fazer um concurso público de projetos para que esse tipo de situação não saia da cabeça de um ser e não resulte nesse tipo de arquitetura".
O petista não foi o único vereador a reclamar dos resultados finais das praças. "Conseguiram fazer da praça Nossa Senhora da Conceição, que é uma praça bonita, ficar feia. Estou todos os dias nas praças Nossa Senhora da Conceição e na Barão. Você tem razão, Gilson, porque a comunidade que frequenta a região ficou triste. Foi uma obra que não acrescentou nada", disse Marcelo Tidy.
Além do atraso nas obras, a situação se agravou drasticamente em julho, quando funcionários relataram 60 dias sem receber salário.
O ponto mais crítico ocorreu em agosto de 2025, quando uma operação conjunta do MPT (Ministério Público do Trabalho) e do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) flagrou oito trabalhadores em condições análogas à escravidão nas obras das praças.
Diante dos graves problemas de execução e das violações trabalhistas, a Prefeitura de Franca tomou a decisão de rescindir o contrato com a empresa originalmente responsável pelos serviços. A administração municipal assumiu a continuidade dos trabalhos para garantir a conclusão do projeto.