10 de julho de 2026
PASSAGEM

Suzane foi ameaçada em presídio da região antes de ir a Tremembé

Por Jordy Silva | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Reprodução/Redes sociais
Suzane von Richthofen: atualmente cumpre pena em liberdade pelo assassinato dos pais

O sucesso da série Tremembé, lançada recentemente pela Amazon Prime Video, reacendeu a lembrança de um episódio pouco comentado na região de Franca: a passagem de Suzane von Richthofen pela Penitenciária Feminina de Ribeirão Preto.

Suzane foi presa em 2002, quando, aos 19 anos, planejou e participou do assassinato dos próprios pais, Manfred e Marísia von Richthofen, em São Paulo. O crime foi cometido com a ajuda do então namorado, Daniel Cravinhos, e do irmão dele, Cristian Cravinhos, que mataram o casal a pauladas enquanto dormia.

A série começa justamente com uma rebelião em que Suzane é perseguida dentro de um presídio. O motim, que de fato aconteceu em Rio Claro (SP), teria sido motivado por supostas regalias concedidas à presa - na série, foi mostrado que a confusão ocorreu em São Paulo para reduzir o enredo e facilitar o entendimento do público.

Uma das presas, identificada apenas pelas iniciais E.C.O., relatou ao Ministério Público Estadual que havia recebido ordens para matar Suzane. Segundo o depoimento, as ameaças começaram ainda em Rio Claro. Após a rebelião, E.C.O. e Suzane voltaram a se encontrar em Ribeirão Preto, onde o clima de tensão se agravou - novamente, para facilitar o entendimento do público, a série mostrou que o reencontro entre elas aconteceu em Tremembé.

Na época, a unidade de Ribeirão Preto operava acima da capacidade: eram 368 presas em um espaço projetado para 300. Por segurança, Suzane foi colocada em uma cela de “seguro”, reservada para detentas ameaçadas, mas disse temer ser atacada a qualquer momento.

De acordo com o G1, Suzane foi levada para Ribeirão Preto em setembro de 2006. Em fevereiro de 2007, porém, foi transferida novamente, depois que o advogado dela alegou à SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) que a cliente vinha sofrendo ameaças constantes. O destino final foi a Penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba.

Transferência e polêmica com o Ministério Público

A saída de Suzane von Richthofen de Ribeirão Preto rumo a Tremembé foi intermediada pelo promotor de Justiça Eliseu José Berardo Gonçalves, que acompanhava o caso. Pouco tempo depois, Suzane denunciou o promotor, afirmando que ele teria tentado “seduzi-la dentro da Promotoria” durante um depoimento sobre supostos maus-tratos sofridos na prisão.

A denúncia levou à abertura de uma investigação pela Corregedoria-Geral do Ministério Público Estadual, que, em decisão publicada no Diário Oficial do Estado, aplicou ao promotor uma suspensão de 22 dias por “descumprimento de dever funcional”.

Segundo o documento, o promotor violou um artigo da Lei Orgânica do Ministério Público que exige “conduta ilibada e compatível com o exercício do cargo”. À época, Eliseu negou as acusações, afirmou que as provas eram falsas e disse ter sido vítima de “mentiras descaradas”.

A pena revisada de Suzane von Richthofen é de 34 anos e 4 meses, com término previsto em 2038. Atualmente, ela cumpre a sentença em liberdade pelo assassinato dos pais.