10 de julho de 2026
ESPANTO

Estudante é obrigada a tirar escapulário durante o Enem em Franca

Por Leonardo de Oliveira | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
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Jovem diz que nunca tira seu escapulário

Durante a aplicação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), no último domingo, 9, uma estudante francana de 16 anos relatou ter sido obrigada a retirar o escapulário e a pulseira de consagração que usava no momento da prova. O caso aconteceu na Fatec (Faculdade de Tecnologia) de Franca e gerou desconforto e insegurança na jovem, que fez o exame como treineira.

Segundo Maria Luiza Julio Oliveira, enquanto os candidatos aguardavam na fila, uma fiscal passou distribuindo o saquinho lacrado onde deveriam ser colocados celulares, lápis e borracha. “Guardei meu celular e fechei o saquinho, porque não tinha levado lápis nem borracha. A fiscal não mencionou nada sobre colares ou pulseiras”, contou.

Ao entrar na sala, no entanto, o chefe de sala apontou para o escapulário e para a pulseira de consagração - também conhecida como cadeia - e ordenou que ela retirasse os objetos. “Expliquei que não gosto de tirar, que nem pra dormir eu tiro, e perguntei se podia deixar por baixo da blusa. Ele disse que não e ainda reclamou, dizendo que eu deveria ter colocado dentro do saquinho junto com o celular”, relatou a estudante.

Sem alternativa e com receio de ser eliminada da prova, Maria Luiza obedeceu à ordem e guardou os objetos na mochila. “Fiquei muito incomodada, mas achei que talvez fosse alguma regra do edital que eu não tinha visto”, disse. “Só que quando olhei ao redor, vi que a maioria das meninas estava com colares e pulseiras normais, e ninguém falou nada com elas.”

Após o término da prova, a jovem procurou o coordenador geral do local de aplicação para relatar o caso. Segundo ela, o coordenador respondeu apenas: “Mas isso te impediu de fazer a prova?”. Maria Luiza disse ter explicado que o episódio afetou seu foco no início do exame. O coordenador afirmou que conversaria com o fiscal para que a situação não se repetisse.

Mesmo assim, a adolescente afirma que o sentimento de desconforto permaneceu. “Até ontem eu ainda estava com medo de isso acontecer de novo. Fico mal sem o escapulário e a cadeia, principalmente em momentos importantes como esse. Mas fui ler o edital e vi que não tem nada que proíba o uso desses itens, então fiquei mais tranquila.”

De fato, o edital do Enem 2025 não traz qualquer restrição ao uso de colares, pulseiras ou escapulários, desde que não interfiram na segurança da aplicação. O documento prevê apenas a proibição de aparelhos eletrônicos, acessórios de comunicação, óculos escuros, bonés e chapéus, mas não faz menção a símbolos religiosos.

Em outras salas da mesma unidade, segundo relatos de candidatos amigos da jovem, ninguém foi impedido de usar escapulários ou medalhas religiosas.

A reportagem entrou em contato com o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável pela aplicação do Enem, para esclarecer se há algum protocolo específico em relação a objetos religiosos e se o caso será apurado. Mas, até a publicação deste texto, o órgão não havia se manifestado.