10 de julho de 2026
MAIS UMA

Em sessão com bate-boca, Câmara rejeita investigação interna

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
Divulgação/Câmara Municipal de Franca
Vereadores Marcelo Tidy e Marco Garcia, respectivamente

Discussões acaloradas entre vereadores e moradores estão se tornando rotina - quase um protocolo - na Câmara Municipal de Franca. Na sessão ordinária desta terça-feira, 21, mais um episódio chamou a atenção: trata-se de um bate-boca entre o vereador Marcelo Tidy (MDB) e um munícipe, envolvendo o uso do tempo de fala. Além disso, os vereadores rejeitaram um ofício que pedia investigação sobre a conduta de Marco Garcia (PP).

Kelner Santiago Souza usou a Tribuna Livre para representar os alunos da Fatec “Dr. Thomaz Novelino” e relatar a situação de insegurança vivida na região da faculdade, localizada na Vila Imperador. Os estudantes têm sido vítimas de furtos e roubos de veículos durante o horário de aula.

Durante o discurso, o munícipe afirmou que os estudantes precisam de mais atenção por parte do poder público e, emendou, dizendo estar indignado com as moções de apoio ao professor Gabriel Cepaluni, acusado de assédio por alunos da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Franca.

Marcelo Tidy pediu um aparte - recurso que permite ao vereador usar parte do tempo para comentar o assunto em discussão. Kelner perguntou quanto tempo ainda teria para concluir sua fala, mas o parlamentar, em tom áspero, respondeu que o pedido de aparte é uma prerrogativa dos vereadores. Tidy aproveitou para destacar o trabalho que vem realizando na tentativa de melhorar a segurança na região.

Como Tidy passou a utilizar o tempo que era destinado ao munícipe, Kelner o alertou sobre o tempo restante, explicando que ainda queria fazer um complemento à sua fala. “Porque, se não, o tempo acaba e eu tenho que dizer mais uma coisa”, disse.

O parlamentar discutiu com o munícipe e afirmou que ele deveria se restringir ao tema que havia protocolado para tratar na tribuna - no caso, a insegurança nas imediações da Fatec. “Eu quero dizer que você tem que se ater à questão exclusivamente da Fatec”, rebateu.

Em meio ao bate-boca, a vereadora Marília Martins (PSol) pediu uma questão de ordem - recurso usado para garantir o cumprimento do regimento ou esclarecer os procedimentos da sessão. Ela solicitou à presidência a devolução do tempo de fala de Kelner, questionou quanto tempo os vereadores podem usar no aparte, para evitar excessos, e ainda pediu que Tidy se acalmasse. Ele retrucou, exaltado: “Não estou nervoso, não.”

O presidente da Câmara, Daniel Bassi (PSD), concedeu mais 5 minutos para que Kelner pudesse concluir sua fala, respondeu que a duração do aparte é de 1 minuto e reforçou o pedido para que ele se mantivesse no tema da insegurança na região da Fatec.

Câmara rejeita investigação contra vereador

A Câmara Municipal de Franca rejeitou o pedido para que o vereador Marco Garcia (PP) fosse investigado pela Comissão de Ética devido à sua conduta com o munícipe Alexandre Martins, que teve a palavra cassada em 7 de outubro.

Na ocasião, o morador questionou o trânsito na região da Vila São Sebastião, o adiamento de sua fala na Tribuna e a postura dos parlamentares - especialmente sobre a proibição dos rodeios, tema de uma lei que a Casa primeiro aprovou e depois revogou. “Tiveram que enfiar o rabinho entre as pernas e voltar atrás. Fazer média que derrubaram, porque vocês não conseguiriam vencer na Justiça”, disse o pedreiro.

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Alexandre afirmou que Marco se exaltou durante a fala e classificou o debate como "fora dos padrões". "O vereador se alterou com minha fala na tribuna, ocasionando um debate fora dos padrões para um representante do povo, dentro da casa que deveria zelar pelo cidadão", diz o documento.

O pedreiro de 50 anos pediu que a conduta do parlamentar fosse devidamente apurada. "Ao final do fato, eu me senti injustiçado por ser punido pelo presidente da Câmara."

O ofício foi colocado em votação na manhã desta terça-feira e foi rejeitado por 11 votos. Os vereadores Gilson Pelizaro (PT) e Marília Martins (PSol) não estavam no plenário no momento da votação, enquanto Lindsay Cardoso (PP) não participou da sessão por motivos de saúde.

Marco Garcia afirmou ao GCN que não desrespeitou Alexandre e apenas cobrou respeito por parte do cidadão. “Em nenhum momento, eu o desrespeitei como cidadão. Eu só pedi respeito quando ele falou que os vereadores têm que colocar o rabo entre as pernas e ficar quietos. Isso é uma palavra chula, uma falta de respeito com os vereadores (...) o presidente só cassou a palavra dele, porque ele desrespeitou”, finalizou.