Moradores de conjuntos habitacionais da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) em Franca relataram uma série de problemas estruturais que se estendem há décadas. As queixas incluem infiltrações, falta de manutenção, ausência de equipamentos de segurança e risco de incêndios.
A moradora Elaine Alves Silva, que vive há 23 anos nos prédios do Leporace 1, afirma que os imóveis nunca passaram por vistoria técnica adequada. Segundo ela, muitos moradores enfrentam dificuldades financeiras e não conseguem arcar com custos de condomínio e benfeitorias.
“Há prédios com infiltração na base, vazamentos entre apartamentos e problemas que se repetem há anos sem solução. Queremos uma avaliação de engenharia e apoio para resolver o que está comprometendo nossa moradia”, relatou.
A moradora Júlia Nascimento conta que sua família vive há mais de três décadas no conjunto e que os problemas estruturais são antigos. “Os blocos não têm sistema de combate a incêndio, o gás é improvisado e há infiltrações constantes. Os prédios mais antigos, como o meu, ficaram de fora das reformas, mesmo com falhas estruturais graves”, afirmou.
De acordo com ela, os moradores ingressaram na Justiça e obtiveram decisão favorável às famílias.
Com o apoio do vereador Walker Bombeiro das Libras (PL), uma comissão foi criada para acompanhar as tratativas junto à CDHU, ao Ministério Público e ao poder municipal. “O que queremos é simples: segurança, dignidade e condições adequadas de moradia”, completou.
O morador Donizete Gomes, que vive no conjunto desde a entrega dos prédios em 1989, relata que as estruturas nunca passaram por reformas. “Nunca pintaram, nunca trocaram o telhado, não tem extintor, nem sistema de segurança. Vai fazer 36 anos e nunca fizeram nada. Uma simples pintura ou reforma já faria diferença”, destacou.
Os relatos ganham força diante de casos recentes de incêndio registrados nos prédios. Em julho deste ano, o apartamento da manicure Renata Brancalhoni, de 59 anos, pegou fogo na rua José Fucinelli, no Leporace. O incêndio destruiu praticamente tudo o que havia no imóvel, provocou a morte da gata de estimação da família e deixou em evidência a precariedade da rede elétrica do conjunto.
Renata contou que havia saído por alguns minutos para fazer as sobrancelhas quando foi avisada por vizinhos sobre as chamas. Ao retornar, encontrou o Corpo de Bombeiros combatendo o fogo, que começou em uma extensão elétrica ligada, mas sem nenhum aparelho conectado.
“Os bombeiros disseram que a fiação é antiga. Perdemos tudo em questão de minutos. O fogo foi muito rápido e quase atingiu o botijão de gás”, relatou.
Segundo ela, as condições do prédio continuam críticas. “Aqui não tem extintor, é perigoso. Muitas pessoas emprestam energia para lojinhas da avenida, e isso aumenta o risco. O que aconteceu comigo pode acontecer a qualquer hora em outro apartamento”, afirmou.
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Diante das denúncias e do histórico de problemas estruturais, o vereador anunciou a realização de uma audiência pública para debater as condições dos conjuntos habitacionais e as responsabilidades da CDHU. O encontro será nesta quinta-feira, 6, às 19h, na Câmara Municipal de Franca, e será aberto à população.
Em nota, a CDHU afirmou que a responsabilidade pelos conjuntos habitacionais deixou de ser do órgão há anos e que esta seria da gestão condominial que deveria ter sido contratada após a entrega das moradias. Confira a nota:
"A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) informa que o conjunto habitacional em questão foi entregue há aproximadamente três décadas e, portanto, já superou o prazo de garantia contratual de cinco anos estabelecido para o empreendimento. A responsabilidade da CDHU restringe-se à correção de eventuais vícios construtivos identificados dentro desse período.
A conservação e a manutenção das áreas comuns e das instalações internas são atribuições da gestão condominial. Durante o processo de ocupação e no acompanhamento pós-ocupação, as famílias recebem orientações das equipes técnica e social da Companhia sobre cuidados, deveres e boas práticas de manutenção dos conjuntos habitacionais."