Nos últimos meses, a atuação do deputado estadual Guilherme Cortez (PSol) passou a chamar atenção para além dos limites da Assembleia Legislativa de São Paulo. Os movimentos públicos, especialmente nas redes sociais, indicam uma provável tentativa de ampliação de alcance político, no intuito de reforçar a imagem do parlamentar como contraponto direto à nova direita, encarnada por nomes como o do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL), e até mesmo grupos políticos, como o Movimento Brasil Livre (MBL).
Cortez ocupa atualmente a vice-liderança da oposição ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e tem usado essa posição como plataforma para aumentar sua projeção. Em publicações feitas na primeira semana de outubro, ele criticou de forma contundente a política estadual de segurança pública, a postura do governador diante da crise instaurada pelos casos de metanol nas bebidas e, de forma cada vez mais categórica, as publicações de líderes da direita.
A disputa de narrativas com Nikolas Ferreira, por exemplo, teve início em meados deste ano. Em 27 de agosto de 2025, depois da descoberta do envolvimento do PCC (Primeiro Comando da Capital) em transações na Faria Lima, Cortez resgatou a fake news disseminada por Nikolas sobre o PIX e associou o caso ao fortalecimento do crime organizado.
Outro ponto de confronto público ocorreu em 31 de agosto de 2025, quando aliados de Lula acusaram Nikolas de “ajudar o PCC com vídeo do PIX” - narrativa que ganhou tração em redes e que Cortez ajudou a legitimar e repercutir em seus canais.
O deputado também vem marcando presença em debates públicos com figuras da direita jovem, o mais recente com o próprio Pavanato, realizado em 19 de setembro de 2025, no episódio Flow Debate #001 no YouTube, em que os parlamentares debateram pautas de São Paulo, mas também atravessaram temas nacionais, como aborto e terapia hormonal e transição de gênero.
Outra aparição pública coletiva com debates mais amplos ocorreu em “Zona de Fogo”, onde Cortez apareceu junto a Lucas Pavanato, Jones Manoel (influencer comunista) e Dom Lancellotti (influencer gay conservador), em debate abordando pautas políticas contemporâneas.
Antes deste atual movimento, ainda durante a campanha que o elegeu deputado estadual, em 2022, Cortez teve um embate marcante com o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (PL), em Franca. Esse confronto ganhou repercussão nas redes sociais.
Agora, Guilherme Cortez tenta se consolidar como uma antítese política e simbólica à crescente direita jovem. De um lado, os conservadores com forte apelo identitário e retórica moralista; do outro, um parlamentar de esquerda, também jovem, defensor de universidades públicas, pautas ambientais e direitos LGBTQIA+.
Em resposta ao Portal GCN/Sampi, Guilherme Cortez reconheceu que há, dentro do partido, uma movimentação favorável a uma eventual candidatura à Câmara dos Deputados, por conta do seu aumento de visibidade nas redes.
“O PSol vê a nossa candidatura à federal como ‘aposta’ para as eleições do ano que vem, devido ao crescimento nas redes e visibilidade. Fui um dos nomes da esquerda que mais cresceu nas redes sociais desde a eleição. Além disso, estamos sendo procurados por grandes podcasts, como o Flow, e veículos de imprensa por conta dessa visibilidade. Portanto, a candidatura a federal é uma possibilidade, sim”, afirmou o deputado.