A Prefeitura de Monte Alto confirmou, nessa terça-feira, 7, o resgate de sete gatos e um cachorro em uma casa onde funcionava uma coleta clandestina de sangue animal. Os animais, encontrados debilitados e assustados, estão recebendo atendimento veterinário e, após se recuperarem, serão colocados para adoção.
O esquema veio à tona no sábado, 4, depois que um anúncio nas redes sociais oferecia R$ 50 para tutores que permitissem a retirada de sangue de seus gatos. A mensagem, escrita de forma informal, chamou a atenção das autoridades. “Oi, meus queridos irmãos e irmãs. Vocês que têm gatos, tem alguém que paga para tirar sangue de gato. Para cada gato, ela está pagando R$ 50", dizia o texto.
A denúncia levou a Guarda Civil Municipal até um imóvel na rua Marciano de Vasconcelos Nogueira. Ao chegarem, os agentes encontraram condições precárias e insalubres, sem a presença de qualquer profissional habilitado. No local, seis gatos estavam desacordados, além de seringas, frascos com sangue e instrumentos veterinários improvisados.
Três pessoas foram presas em flagrante: Cleiton Fernando Torres, de 37 anos, estudante de veterinária; Sandra Regina de Oliveira, de 50 anos, aposentada; e Ângela Aparecida Alves Ribeiro, de 42 anos, empregada doméstica. Eles foram levados à Cadeia Pública de Pradópolis (SP). Após a audiência de custódia, Cleiton permaneceu preso. Outros dois suspeitos — Everton Leite Silva, de 37 anos, e José Luiz de Lima, de 63 anos — também são investigados.
De acordo com o boletim de ocorrência, Cleiton coordenava os procedimentos e recebia R$ 300 por dia, enquanto os auxiliares ganhavam R$ 100. O grupo alegou atuar como prestadores de serviço para uma clínica veterinária de São José do Rio Preto (SP), cidade para onde o sangue seria encaminhado.
A investigação é conduzida pelo delegado Marcelo Lourenço dos Santos, que apura a participação de envolvidos e outros possíveis destinos do material. Ele confirmou que há indícios de que o sangue seria enviado a uma clínica regularizada, o que ainda está sob verificação.
No local, um dos gatos resgatados testou positivo para FIV (Vírus da Imunodeficiência Felina) — doença comparada à Aids humana, que enfraquece o sistema imunológico dos felinos e não tem cura. O animal e os demais estão sendo acompanhados por veterinários.
Em nota, a clínica Hemoser, citada no boletim de ocorrência, afirmou que o banco de sangue veterinário “não é uma prática ilegal e não causa maus-tratos aos doadores”.
Enquanto isso, as autoridades seguem investigando se há outras pessoas ou clínicas envolvidas no esquema.