“Desde que eu me entendo por gente, desde que eu voto, não foi fácil”, resume Eliane Querino, líder do núcleo de Franca do Grupo Mulheres do Brasil. Ela lembra que vota desde 1982 e, nesse tempo todo, a cidade raramente teve representantes na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). “Quando tem um suplente, é tudo muito esporádico. Não há uma tradição de termos um representante local.”
Eliane é uma das vozes que se somam à campanha Franca Tem Voz (#VoteFranca), movimento apartidário que busca conscientizar a população sobre a importância de eleger candidatos com base eleitoral na cidade e na região.
De caráter suprapartidário, a campanha é idealizada por Acif, Cocapec, Unimed, GCN e Rádio Difusora, com o apoio de CDL, Ciesp, OAB, Sebrae, Uni-Facef, Franca Basquete, Magazine Luiza e outras entidades e empresas. O objetivo é mobilizar a população para que Franca amplie sua representação na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) e conquiste representação na Câmara dos Deputados.
Segundo Eliane, a ausência de parlamentares locais faz Franca depender de representantes de outras cidades — principalmente de Ribeirão Preto. “E o que a gente detesta é depender de representantes de Ribeirão Preto”, afirmou. “Franca fica totalmente descoberta (...) muitos votos vão para candidatos de outras cidades, isso prejudica a cidade, que continua sem representação.”
A líder do núcleo Grupo Mulheres do Brasil reforçou que essa falta de representatividade não afeta apenas a política, mas também o desenvolvimento econômico e social da região. “A primeira coisa que as pessoas pensam são as verbas, as verbas que poderiam ser designadas para nós (...) a gente fica fora desse bolo. Esse bolo não é dividido conosco. Imagina o tanto que isso faz falta para a nossa cidade e para a nossa região também", explicou.
Para ela, a ausência de representantes locais também significa perder espaço para defender as pautas que são próprias da região. “Lutar pelo nosso sapato, pela nossa avicultura, pelo nosso café, para ter gente que represente as nossas causas, pelas nossas mulheres, pelas nossas violências, por tudo que a gente lida nessa cidade, pela nossa educação. A gente fica sem representação, e isso é muito ruim para Franca. Não são apenas as verbas."
Eliane faz questão de destacar que o simples fato de o candidato ser francano não é suficiente. “Não adianta ser só francano. A gente precisa que seja um francano que compre as causas que realmente interessam ao Grupo Mulheres do Brasil. Se tivermos isso, vamos apoiar 100%. Se forem mulheres, 200%, porque a gente entra e entra para apoiar com tudo", enfatizou.
O grupo já começou a agir. Nas escolas estaduais em que desenvolve projetos sobre combate à violência contra a mulher, o núcleo de Franca tem aproveitado os encontros para estimular o voto consciente entre os jovens. “Já começamos a levar essa situação nas escolas públicas que a gente atende, estaduais, falando com os meninos de 16 anos, os quais a gente já fala sobre violência contra a mulher, porque não está adiantando falar para os mais velhos. Tem que falar no ninho. Estamos falando: 'vocês já tiraram o título? Não vão tirar o título para votar por Franca? Vamos escolher representantes'. Já começamos nas escolas", finalizou.