O prefeito Alexandre Ferreira (MDB) retornou de sua viagem aos Estados Unidos na manhã desta segunda-feira, 29, e desembarcou em Franca já no final da noite, dando início às atividades executivas com uma coletiva de imprensa na manhã dessa terça-feira, 30. Dentre diversos pontos abordados, um gerou maior curiosidade: os prefeitos americanos não tinham conhecimento sobre a potência das cidades brasileiras. "Ficaram boquiabertos", relatou Alexandre.
Alexandre participou, pela FNP (Frente Nacional de Prefeitos), da Fall Leadership Meeting de 2025, em Oklahoma City, onde foi entregue à federação de prefeitos americanos uma carta com desafios sofridos pelos brasileiros em relação ao tarifaço de 50%, imposto pelo presidente Donald Trump às importações dos produtos brasileiros, além de reinvindicações.
No evento realizado entre a quinta-feira, 25, e o sábado, 27, da semana passada, Alexandre apresentou Franca e expôs o número da população e causou espanto dos mandatários americanos, de cidades como Alabama, Atlanta, Califórnia, entre outros, que não tinham ideia da grandeza das cidades brasileiras.
“Eles ficaram atônitos, quando a gente fez a apresentação, dizendo: ‘olha, nós somos uma cidade, Franca com 380, quase 400 mil habitantes, tem tantos empregos, gera tanto de renda, gera isso, gera aquilo’. Eles não conhecem, eles conhecem muito pouco do Brasil”, disse.
“Quando a gente falou do tamanho que é a cidade, o que a gente tem de indústria, levou as nossas qualidades, levou a nossa qualidade de vida... A gente mostrou pra eles e eles falaram: ‘nossa, a gente não sabia que o Brasil tinha cidades desse jeito’”, complementou.
Após a apresentação do potencial das cidades brasileiras, Alexandre citou que os prefeitos americanos descontruíram a ideia de que o Brasil seria um país subdesenvolvido.
Junto do espanto, surgiu a oportunidade de que os debates sobre parcerias entre cidades brasileiras e americanas sejam retomados na COP30, que será realizada no Brasil - em Belém (PA), entre 10 e 21 de novembro - e reunirá grande parte dos prefeitos dos EUA no país, para conhecer suas estruturas pessoalmente.
“Vários deles vão vir e talvez alguns deles vão andar pelo Brasil para conhecer cada uma das cidades, conhecer como funciona cada uma das cidades. [...] É uma oportunidade que a gente vai ter já de conversar com eles novamente, estreitando esses relacionamentos”, afirmou Alexandre Ferreira.
Um dos pontos principais da ida dos prefeitos brasileiros aos Estados Unidos foi discutir os impactos do “tarifaço” em cidades brasileiras. Segundo Alexandre, ao explicar o que as atitudes do presidente Donald Trump causavam nas administrações municipais, os mandatários teriam ficado “boquiabertos”.
“Nós temos uma cidade boa pra se viver, e aí vem um cara de fora, que não tem nada a ver com a gente, toma uma atitude lá e impacta negativamente na nossa vida aqui”, explicou.
A FNP escolheu Franca para participar do encontro nos EUA por ser um polo exportador de calçados e café; Juazeiro (BA), de frutas; e São José dos Campos, onde está a sede da Embraer, de aviões.
O prefeito francano relatou que nenhum colega americano se manifestou a favor ou contra o presidente Donald Trump, somente teriam exposto críticas em relação ao fato de os governos federal e estaduais não enviarem verbas às cidades.
Sobre o impacto sentido pela população com o tarifaço, as consequências estariam incomodando os americanos, que já encontram o café 21% mais caro, sapatos saindo de uma média de US$ 32 para US$ 48, além dos preços das roupas terem aumentado consideravelmente. A população estaria, segundo Alexandre Ferreira, “em sua grande maioria, contra a postura do Trump, contra a postura do Governo Federal”.
Uma questão presente constantemente nos debates de problemas em Franca é a realidade das pessoas em situação de rua, algo comum também nas cidades americanas, observou Alexandre Ferreira. Um exemplo citado por ele foi a cidade de Oakland, onde o número de moradores de rua seria alto.
“Andando pelas ruas de Oakland, vemos os moradores de rua, todos com dependência química, do mesmo jeito, os mesmos problemas, a insegurança causada pela presença deles, nas pontes, embaixo dos viadutos, a mesma situação. [...] Hoje, nós temos os mesmos problemas de uma cidade grande, de um mundo desenvolvido, como é nos Estados Unidos”, explicou.
Alexandre Ferreira disse ter chamado sua atenção, nos Estados Unidos, o uso de patinetes elétricos, que funcionam por meio de aplicativos de celular e facilitam deslocamentos curtos. O prefeito afirmou estudar a possibilidade de abrir licitação para permitir a operação desse serviço em Franca.
Outra ideia observada foi a criação de jardins alagáveis, utilizados em áreas sujeitas a enchentes. Em alguns locais, como relatou, até anfiteatros são projetados para suportar alagamentos e, após a água escoar, voltam a ser usados normalmente.
Outro ponto destacado foi a limpeza urbana. O prefeito de Franca relatou não ter visto papéis, plásticos ou copos descartados nas ruas, mesmo sem a presença de lixeiras em cada esquina. Segundo ele, os moradores guardam o lixo até chegarem em casa, onde fazem o descarte correto.
“É muito legal, uma cidade limpa, organizada, estruturada, um trânsito espetacular e muita polícia na rua”, concluiu.