09 de julho de 2026
MISSÃO INTERNACIONAL

'Discutir as dores': Alexandre vai aos EUA contra tarifaço

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Pedro Dartibale/GCN
Prefeito Alexandre Ferreira (MDB) durante coletiva de imprensa nesta terça-feira, 23.

O prefeito de Franca, Alexandre Ferreira (MDB), embarca nesta quarta-feira, 24, para os Estados Unidos em uma missão diplomática e econômica. Ele participa de um evento promovido por uma organização de prefeitos norte-americanos para discutir o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump.

Representando a FNP (Frente Nacional de Prefeitos) no Fall Leadership Meeting, promovido pela US Conference of Mayors, Alexandre Ferreira se une aos prefeitos Anderson Farias (PSD), de São José dos Campos (SP), e Andrei Gonçalves (MDB), de Juazeiro (BA), para dialogar diretamente com prefeitos norte-americanos sobre os impactos das tarifas de importação de 50% sobre os produtos brasileiros - especialmente, o café e calçados francanos.

A comitiva, que também conta com a assessoria de Paulo Oliveira, da FNP, tem como destino a cidade de Oklahoma City. Lá, participarão de uma reunião com uma organização de prefeitos americanos, semelhante à FNP, para discutir os prejuízos mútuos causados pelas novas barreiras comerciais.

"Nós representamos todos os prefeitos para conversar com os nossos pares lá nos Estados Unidos", afirmou o prefeito Alexandre Ferreira. "Lá todos os prefeitos estão envolvidos nesse processo do tarifaço, para que a gente possa conversar quais os desafios, quais as dores, falando a mesma língua, de prefeito para prefeito."

O objetivo central do encontro é elaborar um documento unificado. A carta, assinada por gestores municipais de ambos os países, será apresentada aos governos de Donald Trump, nos EUA, e de Lula da Silva, no Brasil, com um apelo para a retomada das negociações e a busca de soluções que evitem perdas econômicas para ambas as nações.

As 'dores' dos dois lados do continente

A preocupação de Alexandre é justificada pelos números. Para Franca, capital nacional do calçado masculino, o tarifaço pode significar a perda de um mercado vital. "O setor calçadista vai perder a possibilidade de exportar perto de 1 milhão de pares de sapato, que é o que se exporta para os Estados Unidos hoje", alertou o prefeito.

O impacto se estende a outras potências exportadoras. Em São José dos Campos, 70% das exportações da cidade são compostas por aeronaves da Embraer, cujas vendas para o mercado americano estão ameaçadas. Já em Juazeiro, um polo da fruticultura, o prejuízo pode ser imediato. "No caso de Juazeiro, R$ 130 milhões foram exportados em fruta para os Estados Unidos no ano passado, e esse recurso vai deixar de entrar na cidade", explicou Ferreira. A cidade baiana, que possui mais de 1.500 trabalhadores empregados diretamente na produção de frutas, sentiria o golpe de forma drástica.

Do lado norte-americano, a medida já reflete no bolso do consumidor. Segundo dados levantados pela comitiva, o preço final do café nas cafeterias americanas subiu 21%. No setor calçadista, o efeito é igualmente visível: um sapato que custava em média US$ 32 para ser importado está chegando ao consumidor por US$ 47.

"Isso vai gerar um impacto na economia também dos Estados Unidos. A gente quer ver que tamanho que é isso", ponderou o prefeito de Franca.

Balança comercial e estratégia política

Um dos argumentos centrais que a delegação brasileira levará à mesa é o histórico da balança comercial entre os dois países. Nos últimos 15 anos, o Brasil acumulou um déficit de aproximadamente R$ 400 bilhões na relação com os Estados Unidos.

"A balança comercial entre o Brasil e os Estados Unidos é negativa para o Brasil. Então, não há que se falar em segurar a balança comercial dos Estados Unidos para deixar de ser negativa, fazendo isso com o Brasil", argumenta Ferreira.

A reunião, portanto, não será com autoridades do governo federal americano, mas sim um diálogo estratégico entre líderes municipais que sentem os efeitos das políticas macroeconômicas diretamente em suas comunidades. A expectativa é que a pressão conjunta das cidades, tanto brasileiras quanto americanas, sensibilize as esferas federais a encontrar um acordo.

"É uma discussão realmente política que a gente vai conversar com os pares norte-americanos e montar um documento que possa ser apresentado aos dois governos", finalizou o prefeito, antes de sua partida para a crucial agenda internacional.