10 de julho de 2026
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Setembro Verde: veja os mitos e verdades do Câncer Colorretal

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
Reprodução/Redes sociais
Cantora e atriz Preta Gil que morreu neste ano após luta contra o câncer colorretal

A luta e a conscientização promovida pela cantora e atriz Preta Gil contra um câncer colorretal trouxeram um holofote necessário sobre a doença no Brasil. Apesar de não resistir e morrer em julho deste ano, a cantora se tornou um símbolo de resiliência e da importância do diagnóstico precoce.

Em pleno Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre este tipo de tumor, os números locais merecem atenção. Segundo dados da Secretaria de Saúde, em 2025, até o mês de maio, a cidade já registrou 74 internações pela doença, sendo 39 homens e 35 mulheres. Além disso, foram realizados 506 procedimentos clínicos relacionados, que incluem desde consultas e exames a tratamentos como quimioterapia e radioterapia.

O cenário de 2024 também é relevante para comparação: foram 171 internações ao longo do ano (105 homens e 66 mulheres) e 1.011 procedimentos clínicos. Os casos que levaram à hospitalização em ambos os anos estão classificados principalmente entre os CIDs C18 (neoplasia maligna do cólon), C19 (junção retossigmoide), C20 (reto) e C21 (ânus e canal anal).

Um cenário nacional e a voz do especialista

Os dados de Franca refletem uma tendência nacional. De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), a estimativa para o triênio 2023-2025 é de 45.630 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil. O tumor, que se desenvolve no intestino grosso (cólon) ou no reto, tem como principal tipo o adenocarcinoma, que em 90% dos casos se origina de pólipos que podem se tornar malignos com o tempo.

"Apesar da doença muitas vezes ser silenciosa, o paciente deve observar se há alterações do hábito intestinal, sangue nas fezes, dores abdominais, perda de peso sem motivo aparente, fraqueza e sensação de fadiga", explica o médico Artur Ferreira, oncologista da Oncoclínicas.

Segundo ele, os principais fatores de risco são dietas ricas em alimentos ultraprocessados, alto consumo de carnes vermelhas, sobrepeso, obesidade, sedentarismo e tabagismo. "Fatores hereditários também são importantes, mas exercem menor influência que os hábitos de vida", ressalta.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, o câncer colorretal é curável, especialmente com diagnóstico precoce. "Diferentemente de outros tumores, o colorretal pode ser descoberto em sua fase pré-cancerosa com a colonoscopia, através da remoção de pólipos antes que se tornem malignos", comenta o oncologista.

Mitos e verdades sobre o câncer colorretal

Para desmistificar o tema, especialista esclarece pontos essenciais:

Sinais de alerta e tratamentos modernos

É fundamental estar atento aos possíveis sintomas:

O diagnóstico é feito principalmente pela colonoscopia, que permite a visualização do intestino e a remoção de pólipos ou biópsia de lesões suspeitas. Exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, ajudam a avaliar a extensão da doença.

Os tratamentos evoluíram e são divididos em duas categorias principais:

  1. Tratamentos locais: focam diretamente no tumor, como cirurgia, radioterapia, embolização e ablação. São indicados em estágios iniciais ou em metástases isoladas;
  2. Tratamentos sistêmicos: utilizam medicamentos orais ou endovenosos que circulam pela corrente sanguínea, como quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. Agem de forma global no organismo, com objetivo curativo ou paliativo.

A mensagem do Setembro Verde é clara: a prevenção, através de um estilo de vida saudável e do rastreamento adequado, é a arma mais poderosa contra o câncer colorretal.