O assalto a um carro-forte completou um ano nesta terça-feira, 9. O crime aconteceu no km 384 da rodovia Cândido Portinari, entre Franca e Restinga, e mobilizou várias equipes policiais. A ação, orquestrada por uma quadrilha especializada em roubos a banco, contou com pelo menos 16 criminosos. A fuga dos bandidos durou mais de uma semana e terminou com cinco mortes — três membros da quadrilha, um policial militar de 27 anos e um caminhoneiro.
O crime cinematográfico começou na noite de 9 de setembro de 2024, por volta das 19h00, quando os criminosos renderam o motorista de um caminhão-tanque e o obrigaram a bloquear a rodovia para impedir a passagem de um carro-forte. Em seguida, os bandidos atiraram contra o carro-forte e obrigaram os seguranças a saírem do carro. Um deles, nesse momento, chegou a se ferir com os estilhaços. Já com os seguranças rendidos, explodiram o carro-forte.
Após não conseguirem acessar os dois cofres do veículo, os bandidos fugiram por diferentes rotas em estradas de terra da região, que ligavam as cidades de Altinópolis, Batatais e Patrocínio Paulista. Os agentes de segurança foram liberados pelos bandidos e socorridos por um motorista que passava pela rodovia.
Ao chegar ao local, a polícia encontrou munições de armamento pesado, como fuzis calibre .50 e 5,56, e iniciou uma caçada aos criminosos em toda a região.
Durante a fuga dos criminosos, um funcionário de uma usina hidrelétrica, que voltava para casa, foi baleado na perna, em Patrocínio Paulista. Ele foi socorrido em estado grave e perdeu parte do membro. Durante a perseguição de outro núcleo de criminosos, houve nova troca de tiros com os suspeitos e a Polícia Militar. Um policial da Força Tática foi ferido na perna na rodovia Abrão Assed (SP-333), na altura de Serra Azul.
Dois dias depois da primeira troca de tiros, a polícia recebeu informações de que a quadrilha circulava pela rodovia Joaquim Ferreira, entre Cajuru e Altinópolis, e planejava outro crime.
Ao encontrá-los, houve nova troca de tiros: um policial militar do Baep (Batalhão de Operações Especiais da Polícia) morreu, três criminosos foram mortos, e um caminhoneiro acabou ferido pelos disparos. Ele foi socorrido para Ribeirão Preto e morreu dias depois da troca de tiros.
Roberto Marques Trovão Lafaeff, de 37 anos, é acusado de ser o líder da quadrilha ao lado do irmão, Ricardo Lafaeff.
Na primeira troca de tiros, ele se feriu com um tiro acidental no próprio pé durante o confronto com militares na rodovia Abrão Assed. Devido à lesão, o bandido procurou atendimento médico em Vinhedo, na região metropolitana de Campinas, onde foi socorrido. Lá, além de mentir sua identidade, ele tentou resetar seus celulares, o que levou à sua prisão.
Durante as investigações, operações foram feitas. Houve indiciamento de dez pessoas suspeitas de integrarem uma organização criminosa.
Todos os indiciados já estavam presos e fazem parte da segunda fase da Operação Carcará, deflagrada no fim do ano passado em cidades do estado.
A Justiça tornou réus os dez homens apontados pela Polícia Civil como integrantes do grupo que atacou o carro-forte, acusados de roubo, formação de quadrilha, organização criminosa, lavagem de dinheiro e tentativas de homicídio.
Em junho deste ano, o Tribunal de Justiça condenou Roberto Marques Trovão Lafaeff a 35 anos, 8 meses e 10 dias de prisão por envolvimento no ataque a um carro-forte.
Os outros suspeitos ainda estão em processo de condenação.