10 de julho de 2026
GRAVE

Adolescente denuncia racismo em escola de Franca: 'É crime'

Por Leonardo de Oliveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Google
Escola Estadual 'Professora Stella da Matta Ambrósio', em Franca

Uma estudante de 15 anos diz que foi vítima de injúrias raciais dentro de uma escola estadual de Franca. O caso teria ocorrido na manhã do dia 4 de setembro, por volta das 10h, quando a aluna pediu ao professor que retirasse uma colega de sala que atrapalhava a aula. A partir daí, a adolescente teria passado a ser alvo de xingamentos e ameaças.

O caso teria acontecido na Escola Estadual "Professora Stella da Matta Ambrósio", no Jardim Pulicano, zona oeste de Franca.

Segundo a mãe da vítima, a agressora chamou sua filha de “macaca”, fez comentários pejorativos sobre seu cabelo e corpo e ainda ameaçou agredi-la na saída da escola.

Durante toda a aula, as intimidações teriam continuado. A estudante pediu ajuda ao diretor da instituição, mas, de acordo com a mãe, ele se negou a ligar para a família e também não acionou a polícia.

A mãe relatou que só foi comunicada após a filha insistir, na secretaria da escola. Quando chegou ao local, disse ter percebido uma tentativa da direção de minimizar os fatos. “O diretor tentou descaracterizar o crime, dizia que foi apenas ameaça e que não aconteceria nada, porque conhecia a outra aluna desde pequena”, contou.

Conforme o boletim de ocorrência registrado, a vítima e a mãe pediram providências imediatas, mas a escola aplicou apenas três dias de suspensão à agressora, que tem 17 anos. “Ele disse que se tivesse sido algo mais grave, como agressão física, aí seriam cinco dias de suspensão. O tempo todo ele tentou diminuir a gravidade do caso”, afirmou a mãe.

A família registrou ocorrência na Polícia Civil e também junto ao Conselho Tutelar. A mãe informou que vai acionar ainda o Ministério Público, destacando a omissão da escola em não comunicar os responsáveis de imediato nem registrar a denúncia internamente.

De acordo com o relato, a direção teria tentado influenciar testemunhas. “Alguns alunos mudaram a versão depois de conversar com o diretor, porque ficaram com medo. Só uma estudante confirmou o que aconteceu”, disse a mãe.

A vítima segue frequentando as aulas, mas a família cobra providências mais firmes por parte da escola e da Secretaria de Educação. “O que aconteceu foi crime, e não uma simples ameaça. Eu não vou aceitar que minimizem”, reforçou a mãe.

O que diz a Secretaria de Educação

Em nota, a Unidade Regional de Ensino (URE) de Franca informou que “repudia toda e qualquer forma de discriminação ou racismo, dentro ou fora do ambiente escolar” e que abriu uma análise preliminar para apurar a conduta da direção.

Segundo a pasta, assim que soube do caso, a gestão escolar convocou os responsáveis pelos alunos envolvidos e a estudante acusada foi afastada, passando a realizar atividades de forma remota.

A Secretaria acrescentou ainda que o boletim de ocorrência foi registrado, o caso incluído na plataforma do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva SP) e que um profissional do programa Psicólogos nas Escolas foi designado para acompanhar a vítima. A equipe regional do Conviva também foi mobilizada para apoiar a unidade “na intensificação das ações de combate ao racismo junto à comunidade escolar”.

A URE de Franca e a escola disseram permanecer à disposição para esclarecimentos.