10 de julho de 2026
CONFUSÃO NA SAÚDE

'Temos medo de trabalhar', diz enfermeira da UPA do Aeroporto

Por | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Jordy Silva/GCN
Renata Fernandes prestou depoimento na Central de Polícia Judiciária de Franca

A Polícia Civil ouviu, na tarde desta quinta-feira, 21, a enfermeira Renata Fernandes, envolvida na confusão com uma moradora na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto, em Franca. Imagens recebidas pelo portal GCN/Sampi mostram as duas durante a briga.

Renata confirmou a versão de que Bruna Gabriela e outras pessoas aguardavam em frente à UPA a transferência da familiar Dalila Evangelista, de 38 anos, para um leito do SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo a enfermeira, a confusão começou de forma repentina, quando foi atacada dentro do setor de acolhimento.

“Ela entrou no acolhimento e começou a puxar meu cabelo. Nós não temos controle sobre as vagas, mas a situação se tornou insustentável. Já houve uma agressão aqui no domingo; ontem (quarta-feira, 20) foi no Janjão (pronto-socorro adulto) e agora aconteceu de novo. Estamos com medo de trabalhar”, afirmou.

Diferente da versão de Bruna, Renata negou ter feito gestos obscenos em direção à família. “Não houve isso. A polícia já estava no local, e ela entrou na recepção e me agrediu no acolhimento”, disse.

Não foi caso isolado

Como citado pela servidora, o caso desta quinta-feira não é isolado. Na noite dessa quarta-feira, uma mulher causou tumulto no Pronto-socorro Municipal "Dr. Álvaro Azzuz" ao exigir atendimento. No domingo, 17, três funcionários da unidade do Aeroporto foram agredidos por um homem. Já em 4 de agosto, uma enfermeira da UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Luíza levou um tapa no rosto de uma paciente.

Os episódios colocaram em pauta cenas que são cada vez mais comuns nos ambientes de saúde de Franca, conforme relatou Renata. “Todo dia a gente sofre ameaças. Dizem que vão matar a gente, que vão matar a nossa família. Hoje mesmo falaram isso comigo."

"Tudo por causa da demora, que não depende de nós. A paciente já foi atendida e está aguardando vaga. Inclusive, uma transferência havia sido ofertada, mas foi recusada", completou.

A profissional destacou a falta de segurança dentro das unidades de saúde e contou que os guardas terceirizados não dão conta de proteger os profissionais.

“Hoje temos dois guardas, mas eles estão ali para proteger o patrimônio, não a gente. O guarda municipal só vem quando é acionado, e também são poucos. O que está faltando é segurança. Esse é o principal ponto”, finalizou.