A vereadora Lindsay Cardoso (PP) disse estar com “medo de sair na rua” após ter sido hostilizada por um grupo de servidores públicos municipais durante uma manifestação no sábado, 29, no Centro de Franca. Em entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr. durante participação no programa A Hora É Essa!, da Rádio Difusora, nesta segunda-feira, 31, ela reiterou que não se arrepende de ter votado a favor do projeto que reajusta o salário dos servidores apenas com a reposição da inflação, além de conceder um cartão-alimentação de R$ 1.983,87 para os próprios vereadores, beneficiando a si mesma.
Servidores identificaram Lindsay em uma feira de adoção de animais na praça Nossa Senhora da Conceição, onde acontecia o protesto. Enquanto tentava se afastar, ela foi acompanhada por manifestantes que criticavam o voto favorável ao reajuste salarial da categoria sem o aval do sindicato, que contesta os valores impostos pela Prefeitura de Franca. A parlamentar se abrigou em uma loja de roupas íntimas na praça Barão até o final do protesto. Os manifestantes seguravam cartazes e gritavam: “Servidor na rua, vereadora, a culpa é sua”.
A vereadora disse estar preocupada com sua segurança após o tumulto ocorrido no sábado no Centro da cidade e questiona o local onde foi abordada pelo público. “Não imaginei que passaria por isso na minha vida. Estou com medo de sair na rua. Se fosse lá na Câmara, no lugar correto, tudo bem. Não onde eu estava. Havia mais de 30 animais na feira, que ficaram apavorados. Eles (os manifestantes) chutaram grades. Eles não queriam conversar, eles queriam me agredir”, disse a vereadora.
Lindsay citou como exemplo o caso de precisar de atendimento médico na rede pública de saúde. “Eu não sei o que me espera na rua. Se eu ficar doente e for ao Janjão (Pronto-socorro "Dr. Álvaro Azzuz"), quem vai me atender? É um servidor que estava na manifestação e queria me agredir?”, perguntou durante a entrevista.
A parlamentar, que está em seu segundo mandato, questiona a postura dos manifestantes por ela receber dinheiro público em seus vencimentos (salário e benefício). “Agora os servidores públicos acham que, por eu ganhar dinheiro público, eu mereço e tinha que ficar sentada lá, podendo ser agredida ou humilhada na praça pública? A prerrogativa agora é essa?”.
“O servidor público também recebe dinheiro público. Então, se a população fica indignada porque eles não estão trabalhando direito ou não estão trabalhando da forma que a população acha que deveriam, eles poderiam invadir o Janjão e agredir as pessoas? Eles podem ameaçar uma professora na rua, no horário de lazer dela? Eles podem tratar uma pessoa como um bando de selvagens?', completou”.
Lindsay foi enfática ao dizer que não se arrepende de ter votado a favor do projeto de reajuste salarial dos servidores, de autoria do prefeito Alexandre Ferreira (MDB), em 25 de março. “Eu não me arrependo do voto, porque eles tiveram reunião com a prefeitura, e a prefeitura deixou claro para eles que era o que estava lá (ou seja, o Executivo não mudaria os valores contidos no projeto). Se eles queriam que votássemos contra, que fossem à Câmara, então”.
Durante a entrevista, ela criticou a ausência dos servidores durante a sessão ordinária em que o projeto foi votado.
A vereadora reafirmou que o responsável pelo percentual de reajuste salarial dos servidores públicos municipais é a Prefeitura de Franca. “Eu não falei ‘não’ aos servidores; quem falou ‘não’ aos servidores foi o Executivo”.
No dia 25 de março, além do projeto de reajuste salarial dos servidores, que inclui o vale-alimentação para o prefeito, vice-prefeito e secretários, também foi aprovado o reajuste para os servidores da Câmara Municipal. Os valores são os mesmos do Executivo: 4,87% de reposição da inflação de março de 2024 a fevereiro de 2025, 5% de aumento no cartão e no abono escolar. Além disso, os vereadores também terão direito ao vale-alimentação, recebendo R$ 1.983,87 por mês.
Lindsay afirmou que não imaginava tamanha revolta da população com a votação e aprovação do benefício aos vereadores. “Não, eu não pensei que geraria essa revolta nas pessoas. Ainda mais as pessoas que conhecem meu trabalho, que sabem que enfio todo meu dinheiro nos animais, sabem que não tenho dinheiro para nada; eu não pego empréstimo para trocar de carro, não vivo no luxo, ando com meu carro velho, resgato animais, tenho mais de 200 animais — um serviço na cidade que ninguém faz, inclusive a prefeitura”, finalizou.