10 de julho de 2026
LUTA POR DIREITOS

Entregadores de Franca aderem à paralisação geral da categoria

Por Leonardo de Oliveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/WhatsApp
Entregadores no ponto de apoio do viaduto Dona Quita

Entregadores de aplicativos em Franca iniciaram uma paralisação geral nesta segunda-feira, 31, que promete durar até que suas reivindicações sejam atendidas. O movimento busca chamar atenção para as dificuldades enfrentadas pela categoria, como a baixa remuneração, falta de apoio das empresas e condições precárias de trabalho. Segundo os entregadores, a situação se agravou nos últimos meses, tornando-se insustentável.

Os trabalhadores fizeram um buzinaço que percorreu a avenida Alonso y Alonso e a avenida Major Nicácio no início da tarde, finalizando no ponto de apoio do viaduto Dona Quita.

Um dos motoboys envolvidos na paralisação, Taylon Ferreira, relatou a rotina desgastante enfrentada pela categoria. "Muitos começam cedo, às 6 ou 7 horas da manhã, e vão até a noite. O trabalho é exaustivo, com jornadas longas sob o sol ou a chuva. E o pior é que a entrega mínima é de R$ 6,50, enquanto o preço da gasolina já ultrapassa os R$ 6,50 o litro. No fim do mês, as contas não fecham", explicou ele.

Os entregadores reclamam também da falta de comunicação eficaz com as plataformas de entrega. "Tentamos falar diretamente com os aplicativos, mas tudo o que recebemos são respostas automatizadas. Não conseguimos expressar nossas dificuldades ou buscar soluções reais", afirmou Diogo Messias, que também faz entregas.

A paralisação, que inicialmente parece ser uma simples reivindicação por aumento de taxas, está ligada também a uma questão de segurança. "É uma profissão perigosa. Estamos na rua o tempo todo, correndo riscos de acidentes, assaltos e até discriminação", afirmou outro entregador. "Mas, quando precisamos de ajuda, as empresas não dão o suporte adequado. Tudo é burocrático e demorado. Às vezes, ficamos até 60 dias esperando por uma resposta sobre um caso", acrescentou.

A falta de um plano de segurança que cubra os danos materiais e os danos pessoais dos entregadores é uma das principais queixas. "Se você sofre um acidente, pode perder dias de trabalho esperando pela liberação do seu veículo para reparos, e, mesmo estando certo, a plataforma não oferece suporte", contou Diogo.

Mesmo com o abandono percebido por parte de autoridades e empresas, os entregadores se mostram unidos em sua luta. "Estamos dispostos a ficar parados o tempo que for necessário. Se for uma semana ou duas, vamos continuar, porque acreditamos que, se a união for forte, nossa voz será ouvida", afirmou Taylon, com firmeza.

A falta de apoio local também foi mencionada, com críticas à Prefeitura, que prometeu melhorias, mas não cumpriu. "A Prefeitura fez um ponto de apoio para nós, mas está cheio de terra e lixo. Precisamos de infraestrutura para trabalhar, e não temos nem um lugar decente para descansar ou carregar os celulares", disse João Vitor Ribeiro.

'Somos invisíveis, mas somos essenciais'

O movimento não é apenas por melhores condições, mas também por respeito. "Na pandemia, éramos considerados heróis. Hoje, somos ignorados. Os motoristas nos tratam como invisíveis, e a sociedade não nos respeita. Precisamos de mais respeito no trânsito e mais reconhecimento do nosso trabalho", completou Taylon.

Em relação à organização do movimento, os entregadores disseram que o ponto de encontro principal será no viaduto do Dona Quita, mas também mencionaram outros locais de concentração, como os McDonald's e pontos próximos ao shopping da cidade. "Aqui é nossa base. Mas, se for necessário, vamos nos reunir em outros pontos. O importante é que nossa voz seja ouvida", disse João Vitor.