A vereadora Lindsay Cardoso (PP) fugiu dos servidores públicos municipais durante uma manifestação neste sábado, 29, no Centro de Franca. O protesto foi contra o projeto de lei sobre o reajuste salarial e dos benefícios, aprovado pela Câmara Municipal durante a sessão ordinária de terça-feira, 25, sem acordo prévio com a categoria. A parlamentar alega que foi agredida e precisou ser escoltada pela Polícia Militar (veja entrevista completa com ela mais abaixo).
O protesto, de forma pacífica, saiu da sede do Sindserv (Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Municipais de Franca e Região), no bairro Cidade Nova, com destino à praça Nossa Senhora da Conceição. Os manifestantes passaram pela avenida Presidente Vargas, cruzaram a Major Nicácio, desceram pela rua Júlio Cardoso, passaram pela rua Voluntários da Franca até chegarem à rua Major Claudiano.
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Após pararem para registrar uma foto em frente ao letreiro "Eu Amo Franca", servidores gritaram que a vereadora Lindsay Cardoso estava em uma feira de adoção de animais na praça Nossa Senhora da Conceição. Um grupo de manifestantes foi atrás da parlamentar, que saiu andando acompanhada de sua assessora legislativa.
Protestantes seguiram a vereadora enquanto ela atravessava a rua, entre os carros, até alcançar a calçada. Lá, foi acompanhada por colaboradores da feira de adoção até entrar em uma loja de roupas íntimas localizada na praça Barão.
No meio do trajeto, houve uma discussão entre dois homens, que precisou ser separada por uma colaboradora da feira de adoção e por servidores públicos.
Com os ânimos contidos, os servidores se reuniram em frente à loja onde Lindsay estava abrigada. Os manifestantes seguravam cartazes e gritavam: 'Servidor na rua, vereadora, a culpa é sua'. A parlamentar não saiu do estabelecimento durante o protesto.
Os líderes da manifestação chamaram os manifestantes, que retornaram à praça Nossa Senhora da Conceição.
Os servidores públicos municipais protestaram contra o projeto de lei, de autoria do prefeito Alexandre Ferreira (MDB), que repõe a inflação acumulada de março de 2024 até fevereiro de 2025, de 4,87%, sem aumento real. Além disso, o texto reajustou em 5% o cartão alimentação, passando dos atuais R$ 986 para R$ 1.036, e no abono escolar, de R$ 367,65 para R$ 386,04 em 2026.
Os valores impostos pelo Executivo, no entanto, não foram aceitos pela categoria. Mesmo sem acordo entre as partes, o projeto foi votado pela Câmara Municipal na sessão de terça-feira e aprovado por unanimidade. Entre os presentes, estava Lindsay Cardoso.
O portal GCN/Sampi entrevistou Lindsay Cardoso após o tumulto que ocorreu no Centro da cidade. Segundo a parlamentar, ela foi agredida por manifestantes e registrará um boletim de ocorrência. "Fui agredida. Vou fazer um boletim (de ocorrência) contra todos. Eles me empurraram. Um cara tentou me dar um soco. Se não fosse o Zé que estava lá para empurrá-lo, ele teria acertado em mim."
A vereadora conta que precisou acionar a Polícia Militar para sua segurança. "Tive que entrar em uma loja para não ser linchada. Tive que ser escoltada pela Polícia, que me tirou da loja. Foram as meninas que voltaram lá para retirar o meu carro e trazer os meus animais."
A vereadora esclarece que a responsabilidade pelo projeto é do prefeito Alexandre Ferreira. "O que eu posso fazer? Quem dá aumento é o prefeito, e não os vereadores. Eu ser punida e agredida por isso? Cada um pode ter sua opinião. Ainda mais eu: uma vereadora que enfia todo o meu dinheiro nos animais, luto pela causa animal todo santo dia."
Ela seguiu, destacando que não há justificativas para agressões. "Isso não se faz com ninguém. Nada com agressão, nada. Ninguém vai a lugar nenhum agredindo as pessoas. Eu nunca foi assim com ninguém. Nunca parti para cima de ninguém. Nunca fiz isso com pessoa nenhuma. Aguento xingamentos, palavrões, (podem) fazer o que eles quiserem, mas partir para cima de mim, não", afirmou.
Finalizando a entrevista, feita via mensagem de áudio no WhatsApp, Lindsay afirmou que o projeto foi votado a pedido do presidente do sindicato, Fernando Nascimento. "Quem foi lá e falou com os vereadores para que o projeto fosse aprovado dessa forma, sem prejudicar os servidores, foi o presidente do sindicato", disse.