A insegurança no trânsito de Franca voltou a ser discutida na Câmara Municipal. Um grupo de entregadores solicitou medidas para reduzir acidentes e melhorias na infraestrutura voltada para a categoria na cidade. “Caro não é a taxa de entrega; caro é você não voltar para sua casa, família e lar”, disse o motoboy Daniel Ribeiro Cardoso, durante discurso na sessão ordinária desta terça-feira, 11.
Cerca de 20 entregadores participaram da sessão no período da manhã. Durante seu discurso na Tribuna Livre, Daniel recordou o projeto de lei, de autoria de Marco Garcia (PP), que multa motociclistas que alteram os escapamentos de suas motos e perturbam o sossego público com o barulho. "Hoje uma moto com escapamento, o carro escuta de longe o barulho dela".
O trabalhador citou como exemplo a morte de Wander Pereira da Silva, de 23 anos, no domingo, 2, após ser atingido por uma caminhonete enquanto voltava do trabalho para almoçar em casa. "Às vezes, se ele tivesse com escapamento, o motorista da caminhonete que passou no sinal vermelho poderia ter ouvido o barulho da moto e parado, mas não foi o que aconteceu".
Uma das sugestões propostas é a instalação de lombadas. "Implantar lombadas em cada cruzamento, porque a lombada, querendo ou não, fará o motorista frear".
O motoboy reforçou a importância da profissão, principalmente durante o período de isolamento social causado pela pandemia de coronavírus. "Assim como os caminhoneiros movimentam o Brasil, nós, motoboys, movimentamos Franca. Na pandemia, éramos tão úteis, estávamos na linha de frente, correndo risco de pegar covid e de perder a vida, porque o trânsito em Franca não está fácil".
O grupo, composto por cerca de 20 entregadores, pediu melhorias estruturais para atender à categoria, como a instalação de banheiros públicos, bebedouros e tomadas para carregamento de celulares no ponto de apoio criado sob o viaduto Dona Quita, na avenida Alonso y Alonso.
"Muitas vezes passamos 8 a 10 horas trabalhando sem poder usar o banheiro, porque batemos em algum estabelecimento e eles não abrem ou não deixam os motoqueiros usar (...) colocar o telefone para carregar na moto rouba a carga da bateria e temos que gastar dinheiro para trocar a bateria".
O vereador Walker Bombeiro das Libras (PL) disse que está tentando obter recursos com um deputado federal para a instalação de um ponto de apoio para entregadores. "Não é bem um ponto de apoio o que vocês têm ali (no canteiro embaixo do viaduto Dona Quita). Vocês merecem e precisam de muito mais".
O parlamentar citou um ponto de apoio aos motociclistas em Brasília (DF) como exemplo. "Tinha geladeira, banheiro limpinho, cama e até videogame. Quase fiquei por lá! Vamos tentar trazer essa realidade para cá", brincou. Walker, por fim, apoiou a implantação da Onda Verde, uma sequência de semáforos com sinais verdes.