13 de maio de 2026
MORADORES DE RUA

'Sabemos que é um problema estrutural', diz vereador

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Reprodução/Câmara Municipal de Franca
Plateia da audiência sobre moradores de rua nesta quarta-feira

Cerca de 100 pessoas participaram da audiência pública na Câmara Municipal de Franca, na noite desta quarta-feira, 26, cobrando soluções para a situação dos moradores de rua. O debate foi marcado por discursos acalorados, críticas à gestão pública e divergências sobre a atuação do Centro Pop.

O vereador Fransérgio Garcia (PL), que convocou a audiência, foi um dos mais enfáticos ao abordar o tema. Ele desmentiu boatos sobre a possível transferência do Centro Pop para a Estação e criticou a ausência de representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública e do Serviço Social na audiência.

“Os moradores em situação de rua não são desabrigados nem miseráveis financeiramente. São pessoas que se envolveram com drogas e escolheram sair de casa ou foram expulsas por conta do vício”, afirmou.

O parlamentar declarou ser contra o funcionamento do Centro Pop e questionou a ausência de responsabilidades para quem vive nas ruas.

Já o ex-policial Ronaldo Rogério ressaltou a importância de enxergar o ser humano por trás da situação e defendeu a manutenção do Centro Pop, mas com melhorias.

A revolta de parte da população ficou evidente. Participantes da audiência relataram episódios de violência, ameaças e consumo de drogas em locais públicos.

Outros questionaram se Franca deveria continuar acolhendo moradores de rua e pediram medidas mais rígidas, incluindo o fim da distribuição de esmolas.

Entre as falas mais extremas, um participante chegou a sugerir que quem não trabalha deveria passar fome e, indiretamente, ameaçou a integridade física das pessoas em situação de rua. “Se entra na minha casa, pode até entrar, só que não sai (...) Você anda na rua e é assediado. Não quer trabalhar? Então morra de fome”, declarou ele, sob aplausos de parte do público.

Por outro lado, parte da plateia pediu mais humanidade na abordagem. Relataram que nem todos os moradores de rua estão envolvidos com crimes e que é necessário oferecer alternativas reais para que possam reconstruir suas vidas.

Durante o debate, o vereador Gilson Pelizaro (PT) propôs a criação de um comitê intersetorial e a realização de um monitoramento das pessoas em situação de rua. “Criar um comitê intersetorial, com vários setores, como Segurança Pública e Saúde, e fazer um monitoramento permanente dos moradores em situação de rua. Com isso, também chamar a sociedade”.

O vereador Fransérgio Garcia (PL) apoiou a proposta do petista e destacou a importância de ouvir a população para, dessa forma, definir o melhor caminho para a cidade.

“Os próximos passos agora são criar uma frente parlamentar, marcar uma reunião com o Executivo, com a Defensoria, com a Ação Social, com todas as secretarias envolvidas. Nós precisamos, depois de ouvir a população, fazer essa reunião para debater o assunto e fiscalizar as ações (...) Sabemos que é um problema estrutural, que não afeta apenas Franca, mas podemos avançar. E nós vamos avançar", finalizou o liberal.