Moradores de Restinga, a 14 km de Franca, denunciam diversos problemas no início das aulas na rede municipal. As principais reclamações dos pais são em relação à falta de profissionais, à superlotação das salas de aula, às salas multisseriadas e à merenda incompatível com a idade das crianças. O prefeito da cidade, Felipe Talvani (MDB), alega que as reclamações são exageradas e atribui as críticas a uma suposta perseguição, devido à recente mudança na gestão municipal.
De acordo com pais de alunos, que preferiram não se identificar temendo represálias, os problemas afetam três escolas municipais: a Emeb "Célia Teixeira Ferracioli", de educação infantil; a Emeb "Leonor Mendes de Barros"; e a Emeb "Gilberta Vilela Rosa", do ensino fundamental.
Na escola de educação infantil "Célia Teixeira Ferracioli", a principal reclamação é a falta de profissionais, tanto para o atendimento aos pais quanto para a educação das crianças. Além disso, os pais relatam que a alimentação oferecida não é adequada para a idade dos alunos.
"Não há professores nessa escola, as crianças muitas vezes ficam largadas em sala de aula, e muitas delas acabam voltando para casa com hematomas e mordidas. Sem contar que também estão retornando sem a troca de fraldas, é um absurdo. Além disso, já estão servindo salsicha na merenda há quatro dias seguidos, o que faz muito mal para as crianças", disse uma mãe de aluno.
Já na escola "Leonor Mendes de Barros", a reclamação é sobre as salas multisseriadas. Segundo os pais, há alunos de idades e níveis de aprendizado diferentes na mesma turma, o que dificulta o planejamento e a execução das aulas.
A escola "Gilberta Vilela Rosa" também é alvo de reclamações. De acordo com os pais, a unidade enfrenta superlotação nas salas de aula, a ponto de alguns alunos não terem onde se sentar ou apoiar os livros e cadernos.
O prefeito nega as denúncias. "Estamos apenas no início do mandato. Peguei a Prefeitura com uma dívida gigantesca, foi preciso fazer um corte de gastos, e tem gente que não está gostando", afirmou.
Talvani ainda ressalta que, em relação à alimentação, a Prefeitura ainda não recebeu os alimentos da empresa vencedora da licitação, mas nega que esteja sendo servido apenas salsicha. Sobre as salas de aula, o prefeito admite que estão lotadas e multisseriadas, justificando que a medida foi necessária para reduzir custos.
"Tivemos que tomar essas medidas porque havia salas com apenas oito alunos, e a Prefeitura não está em condições de arcar com isso. Sobre as salas multisseriadas, são casos específicos. A escola 'Leonor' fica em uma região bem afastada, com poucos alunos, então precisamos fazer isso para equilibrar as contas", conclui o prefeito.
Em relação à falta de profissionais, a Prefeitura informou que já abriu um processo seletivo para a contratação desses trabalhadores. Os interessados podem se inscrever através do link disponibilizado.