Voto obrigatório – ou quase. Isso porque 74.489 pessoas não compareceram às urnas em Franca no 1° turno das Eleições 2024. Esse número representa 29,97% dos eleitores aptos, tornando-se a maior abstenção da cidade nos anos 2000. Convencer o público a votar neste domingo, 27 de outubro, é um dos grandes desafios de Alexandre Ferreira (MDB) e João Rocha (PL), que disputam o segundo turno das eleições municipais.
O advogado e analista político Toninho Menezes acredita que o percentual de abstenções subirá no 2° turno. “No 1° turno, muitos eleitores compareceram em razão do maior número de candidatos, sempre com alguns conhecidos e próximos ao eleitorado”. Cenário visto, principalmente, na eleição para vereador, onde conta com representantes de categorias de trabalho, regiões da cidade e grupos religiosos, por exemplo.
De 2000 a 2024, aconteceram sete eleições municipais, sendo registrado crescimento do número de faltantes em todas. Em 2000, 17.111 pessoas não compareceram aos colégios eleitorais, o que representa 10,16% do eleitorado na época. O percentual dobrou em 2016 ao chegar em 20,60%. Já neste ano, alcançou os 29,97% - em 24 anos, um aumento de 194,98%. Veja abaixo a tabela:
O analista explica que as abstenções não anulam as eleições ou prejudicam a somatória dos votos. “Porém, a falta de envolvimento político, representado pelas abstenções, provoca desequilíbrio no processo democrático. Resulta-se em representação exclusiva de um grupo sobre os outros e, nem sempre, com número de votos superior a metade do eleitorado”.
Para ele, os índices de abstenções estão ligados ao desencantamento da população com a política. Corrupção e a falta de exequibilidade das propostas pelos candidatos são reclamações comuns entre a população. Além disso, Toninho cita a obrigatoriedade do voto como uma das razões. “Assim os eleitores se contrapõem a esse modelo de voto obrigatório, demonstrando seu descontentamento através das abstenções, do voto em branco e nulo”.
“Queiram ou não o voto facultativo é o voto de qualidade, pois, tem a capacidade de melhorar a qualidade do pleito eleitoral, visto que abarcará apenas eleitores conscientes politicamente”, finaliza.