10 de julho de 2026
REVIRAVOLTA

TJ anula júri e PM será julgado de novo por morte de cabeleireiro

da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Redes sociais
Matheus Gustavo Silva, 25 anos, morto em julho de 2020

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) anulou na semana passada o júri popular que absolveu o policial militar Tiago Morais Lopes, que matou o cabeleireiro Matheus Gustavo Silva, de 25 anos, em julho de 2020, na Avenida Brasil, no Jardim Paulistano, em Franca

O júri, que agora foi anulado, aconteceu no mês de julho deste ano no Fórum de Franca. Na ocasião, os jurados decidiram absolver o sargento, acreditando na tese da defesa de que ele teria agido em legítima defesa.

Porém, o relator Cezar Roberto Bitencourt afirma que o depoimento do réu não se sustenta, uma vez que os disparos foram feitos após o término da “briga”. 

"Tal narrativa não encontra respaldo sequer nas alegações do próprio réu, segundo o qual, mesmo após as agressões cessaram e ter conseguido se desvencilhar do suposto assaltante, retornou ao local", diz o relator em seu voto. "O confronto já havia cessado quando os disparos ocorreram, descaracterizando, assim, a excludente de ilicitude”, prossegue. 

Agora, com a anulação, o Tribunal de Justiça deve realizar um novo júri popular. Tiago aguardará em liberdade o novo julgamento.

Mãe espera por Justiça

Simone Silva, mãe de Mateus, conta que depois da decisão, a sua dor da perda aumentou, mas agora com a anulação, ela afirma ter a esperança de que um novo julgamento traga justiça para o caso.

"Eu acredito, sim, no novo julgamento, eu acredito na justiça ainda, porque aquele julgamento em que ele foi absolvido, eu saí de lá juntando os cacos, e com um monte de porquês na minha cabeça", disse Simone.

"Eu não estava acreditando, sempre ali questionando a Deus, pegando a Nossa Senhora... sempre fomos de ter fé, de acreditar no que é verdadeiro. Só que eu saí dali moída, parecia que o assassino era o meu filho, o cara foi absolvido, as advogadas zombando da gente", acrescentou.

"Eu saí muito mal dali. Desde quando eu saí deste julgamento, estou fazendo sessões de terapia, porque eu não consigo dormir à noite, tenho que tomar remédio, e fica na minha cabeça o por quê, e como assim?", disse ainda Simone.

Simone também desabafou sobre a perda do filho, que aos 25 anos, levava o sustento para a casa. Ele era cabelereiro e tinha seu próprio salão, quando teve os sonhos interrompidos.

"O meu filho foi executado, foi tirado a vida dele, né? Acho que o bem mais precioso que eu tinha na minha vida era ele e é o único filho. E vem uma pessoa que, ao invés de nos proteger, tira a vida. Como isso? Então, eu estou assim, respirando um pouco mais, aliviada, mas eu quero muita justiça, eu quero muito que ele pague pelo que fez”, finalizou Simone.

Como foi o crime?

O crime aconteceu na madrugada do sábado, 25 de julho, no cruzamento das avenidas Brasil e Francisco Delfino dos Santos, no Jardim Paulistano.

Crime foi gravado por câmeras

Câmeras de segurança de uma loja filmaram toda a briga entre o barbeiro e o policial. 
 
Nas imagens, Mateus desceu de um Voyage juntamente com o Tiago. Após uma aparente discussão, o motorista entrou novamente no veículo e desceu a avenida Francisco Delfino dos Santos, deixando Mateus para trás.
 
Em seguida, o mesmo carro retornou à avenida Brasil e andou em círculos, até o Tiago parar e perseguir Mateus, que foi atingido por cerca de dois tiros. Ele morreu na hora.

Vítima ligou para 190

De acordo com o Boletim de Ocorrência, Mateus chegou a ligar para o 190 pedindo ajuda, afirmando que estava sendo seguido por um Voyage prata e que o motorista estava armado.

Se apresentou na delegacia

Três dias depois do crime, o policial militar se apresentou na DIG de Franca. Ele prestou de depoimento e respondeu por todo processo em liberdade.