O grupo francano de teatro Corpo Negro faz estreia inédita na capital do Estado com a peça O Mundo Começa na Cabeça, abordando questões de racismo enfrentadas por crianças negras.
Com entrada gratuita, a peça busca sensibilizar crianças e adultos por meio de uma narrativa envolvente e lúdica. A primeira apresentação aconteceu nesse sábado, 3, no Centro Cultural Fiesp localizado na Av. Paulista, 1313, em São Paulo. As próximas apresentações acontecem ainda neste mês nos dias 24 e 31. Em novembro, a peça será apresentada no dia 2.
A peça foi idealizada em 2018 a partir de integrantes do grupo dispostos a dialogar sobre questões raciais e de etnia para crianças. A ideia foi contemplada no Edital Proac nº 03/2018, viabilizando sua montagem que aborda a negritude em ambiente escolar e possibilitando que as memórias trazidas da infância dos próprios atuantes.
A escassez de referências positivas que abordassem a negritude nos primeiros anos de vida incentivou a construção de um material cênico que levanta essas questões para o público infantil. O espetáculo se constrói com referências da Conceição Evaristo, que nomeia de "escrevivência", ou seja, dar escrita às vivências de pessoas pretas.
O teatro narrativo permite aos atuantes a possibilidade de reforçar sua própria representatividade em cena, bebendo diretamente da fonte do Teatro Experimental Negro (TEN), conceito do Abdias do Nascimento, também francano e de grande inspiração para elaboração do projeto, que denunciou a rejeição do negro em ser "personagem e intérprete".
O grupo Corpo Negro, nasceu em 2016 durante a qualificação do curso Técnico em Teatro do Senac Franca, e desde então passou a colocar em pauta e debater questões afro-brasileiras. Entre as conquistas do grupo, está a recente premiação no edital Sesi Viagem Teatral. O grupo fará cinco apresentações pelas unidades no Sesi na Capital Paulista.
Em 2023 o grupo também foi premiado pelo Edital Proac 01/23 destinando a montagem inéditas de teatro, desta vez com o desafio de criar um espetáculo adulto nomeado de "E Kaabo, o futuro é preto", este ainda em fase de criação conta com a direção de Ícaro Rodrigues e Dani Nega (Cia. Os Crespos, Coletivo Negro e Núcleo Bartolomeu de Depoimentos), ganhadora do Prêmio Shell de melhor trilha sonora.
O coletivo convida o público para seguir a agenda disponibilizada através do Instagram no perfil @grupocorponegro e para reservas de ingressos da temporada através do site.