09 de julho de 2026
DIVERSIDADE

Dia do Orgulho LGBT: 'Construindo uma vida juntos'

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Arquivo familiar
Casal Guilherme Henrique Barcelos e Dionata Moises Silva da Penha

Ser o que acredita, ser o que se identifica, ser o que sente, ser o que tem vontade e ser o que ama. Ser, apenas, feliz. Nem sempre as pessoas conseguem serem elas mesmas. Às vezes, a felicidade de um vem de encontro com o preconceito de outro. Nesta sexta-feira, 28 de junho, é celebrado o Dia do Orgulho LGBTQIA+. Data para se conscientizar sobre as diferenças, ainda que sejamos todos iguais.

Iguais como o casal Guilherme Henrique Barcelos, de 32 anos, e seu marido Dionata Moises Silva da Penha, de 29 anos. História que começou no aniversário de um amigo em comum. “Ambos não estavam à procura de um relacionamento, mas, encontramos ali, naquele momento, uma conexão diferente que nos uniu a partir daquele dia”, disse Guilherme.

O pedido de casamento aconteceu em 2019 durante a celebração do 4º aniversário de namoro. “Recebemos apoio de vários amigos e familiares que são importantes pra nós, mas, em vários momentos, tivemos que ser mais fortes e evitar diversos conflitos. Como um casal homoafetivo, muitas vezes, nós não recebemos o respeito, apoio e carinho que um casal hetero recebe quando estão construindo uma vida juntos”.

O casamento aconteceu no cartório em outubro de 2022. “Esse momento foi um misto de emoções, pois, estávamos realizando um sonho e obtendo o reconhecimento legal em registro do nosso amor enquanto casal. Dizer sim foi uma das nossas melhores escolhas”.

O casório foi acompanhado do medo de perder o direito. A Câmara de Deputados discutiu um projeto de lei que proibiria o casamento entre pessoas do mesmo sexo em setembro de 2022. Com debates calorosos e discursos preconceituosos de parlamentares conservadores, no entanto, a proposta não foi aprovada. “Tínhamos medo da possibilidade de revogação, pois, enquanto pessoa LGBT, sempre carregamos o medo de tirarem os poucos direitos que temos, mas ainda assim insistimos em acreditar na nossa felicidade e casar como forma de lutar contra os retrocessos”.

Casamentos homoafetivos em Franca

A história de Guilherme e Dionata é uma entre os 238 casamentos homoafetivos celebrados em Franca desde 2013, segundo o Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados), do Governo do Estado de São Paulo. Neste ano, entre janeiro e abril, 13 uniões foram feitas nos cartórios da cidade.

Noivos e noivas que passaram pelo juiz Marcelo Cássere, do 1° Cartório de Registro Civil de Franca. “Celebro a luta, mas, acima de tudo, no homoafetivo, a gente celebra a vitória. Minhas celebrações são muito relacionandas à vitória contra o preconceito e contra algumas ideologias que não condizem com o amor. Sabemos que todos somos filhos de Deus, independentemente da sua situação, do seu momento, da sua cor ou da sua preferência sexual. Celebro a vitória e o amor”.

Desde que começou a celebrar casórios em 2022, Marcelo acompanhou diferentes reações das famílias dos noivos. Uma delas, recentemente, ficou em sua memória. “Uma mãe ama o filho incondicionalmente. Passeia e viaja. Está junto. Acolheu a família do novo cônjuge, gosta demais dele, do marido, no caso. Mas na cerimônia não quis participar, não quis que citasse ela e não quis que eu interagisse com ela por questão religiosa. Respeito, mesmo assim, ainda falo que o amor de mãe é igual o amor de Deus, é incondicional”.

Ainda que os números sejam inferiores aos chamados casamentos tradicionais (pessoas de sexos opostos), o juiz disse que está em crescente os matrimônios homoafetivos celebrados na cidade. “Cada vez mais vem crescendo o número, seja só aqui no civil, básico e rápido, que é dentro do cartório, assim como fora”.

Percepção que se traduz em números. Dez anos separam o menor do maior número de casamentos registrados por ano entre pessoas do mesmo sexo. Foram celebradas 11 uniões em 2013, enquanto em 2023 foram 38 – um aumento de 245%. Confira o resultado por ano: