O recente desastre das chuvas no Rio Grande do Sul, que já causou 145 mortes, mostrou como as mudanças climáticas, impulsionadas pela ação humana, estão intensificando os desastres ambientais e climáticos. E Franca, mesmo localizada no interior do estado, não está imune a essa realidade. De acordo com o mapeamento do Governo Federal, 1.478 francanos vivem em áreas de risco, sujeitas a deslizamentos, enxurradas e inundações.
O levantamento divulgado em abril apontou que 1.942 municípios brasileiros estão expostos a este tipo de desastres. O estudo revelou um aumento de 136% no número de municípios mapeados como vulneráveis desde 2012, quando apenas 821 cidades estavam na lista.
"O aumento da frequência e intensidade dos eventos extremos de chuva vem criando um cenário desafiador para todos os países, especialmente para os países em desenvolvimento com grandes áreas territoriais, como o Brasil", afirma o relatório do governo.
Apesar de representar menos de 1% da população de Franca, os dados apontam os riscos enfrentados por quem vive em áreas vulneráveis. Um exemplo é o “buracão” do Jardim Brasilândia.
Em janeiro do ano passado, um deslizamento de terra afetou 14 casas, que foram interditadas pela Defesa Civil. A Prefeitura realizou drenagens e estudos no local. Algumas famílias se mudaram e recebem auxílio, mas ainda há casas interditadas na área.
Um outro ponto que os moradores vivem com esse medo é na Voçoroca do Jardim Aeroporto. O buraco só vem aumentando e já está muito próximo das casas nas ruas Jornalista Cláudio Abramo e Paulo Bernal Moreira.
Segundo os moradores, o buraco começou há quase dois anos e, em períodos de chuva entre outubro a janeiro, a situação só piora.
O estudo também apontou que as populações mais pobres são as mais afetadas por este tipo de fenômeno, já que moram em locais inadequados e possuem poucos recursos para se adaptar ou se recuperar dos impactos.
Entre 1991 e 2022, o Brasil registrou 23.611 desastres ambientais, resultando em 3.890 mortes e deixando 8,2 milhões de pessoas deslocadas ou desabrigadas.
"É essencial promover ações governamentais coordenadas destinadas à gestão de riscos e à prevenção de catástrofes", diz o estudo, apontando o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como uma oportunidade para melhorar a infraestrutura e a gestão de desastres no Brasil.