15 de março de 2026
ELEIÇÕES 2024

Alexandre: ‘Me dá a chave e faço a gestão da Santa Casa'

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 6 min
Sampi/Franca
Pedro Baccelli/GCN
Prefeito e pré-candidato a reeleição, Alexandre Ferreira (MDB)

A falta de leitos de internação é tema polêmico em Franca e uma das maiores dificuldades da administração municipal. Em entrevista ao programa A Hora É Essa, da Rádio Difusora, nesta sexta-feira, 10, o prefeito e pré-candidato à reeleição Alexandre Ferreira (MDB) não poupou críticas à gestão da Santa Casa de Franca, classificou como “inexistente” sua relação com a instituição e disse ter proposto ao Governo do Estado a gestão plena da regulação de vagas no município. “A gente precisa saber o que está acontecendo lá”.

O emedebista é o penúltimo participante da série de entrevistas com pré-candidatos à Prefeitura de Franca. Guilherme Cortez (Psol), Marcos Ferreira (PSB), Tito Flávio (PCB) e João Rocha (PL) já participaram do projeto, que abre a cobertura das Eleições 2024, em parceria com o Portal GCN/Rede Sampi. Na segunda-feira, 13, Rafael Bruxellas (PT) encerra a sequência de entrevistas com o jornalista Corrêa Neves Jr.

Saúde
A Constituição Federal determina que todos os municípios do país invistam ao menos 15% das arrecadações de impostos na manutenção e melhorias no serviço de saúde. A atual gestão destina cerca de 36% de tudo que arrecada para área, com significativos repasses para a Santa Casa, levando Alexandre a questionar o discurso da instituição filantrópica. “A impressão que dá é que é um saco sem fundo mesmo (...). A Santa Casa tem hoje perto de R$ 40 milhões em caixa, e fica falando para nós que não tem dinheiro”.

Apenas o Governo do Estado de São Paulo transfere R$ 132 milhões para a Santa Casa de Franca por ano. “Por que lutei tanto atrás desse Hospital Estadual? Para sair da dependência da Santa Casa. Hoje tem que pedir bênção para Santa Casa para internar paciente”.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse ao GCN/Difusora que a previsão é de que a estrutura esteja pronta entre os meses de abril e maio de 2025. O próximo desafio será encontrar a OS (Organização de Saúde) que será responsável pelo Hospital Estadual. Segundo Alexandre, o Grupo Santa Casa de Franca já teria entrado na disputa. Ele é contra.

“A Santa Casa já fez várias reuniões tentando arregimentar a gente para que ela tome conta do Hospital Estadual. Eu não vou deixar. Se a Santa Casa tomar conta do Hospital Estadual, vamos estar na mão de um grupo que quer dominar as coisas, e não pode ser assim”, afirma.

Ainda segundo ele, foi pedido ao Governo do Estado que o município seja o responsável pela gestão plena dos leitos. Atualmente, o serviço é realizado pela Siresp (Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo), antiga Cross, de gestão estadual, responsável pelo acesso aos leitos nos hospitais da região conveniados ao SUS (Sistema Único de Saúde).

“Já fiz essa proposta para o Estado. Me dá a chave que eu tomo conta. (Se o governador concordar) eu faço gestão da Santa Casa. Contrato a Santa Casa, faço o contrato, pago, organizo e exijo cada um dos serviços prestados. Já fiz essa proposta para eles, inclusive para o promotor”.

Administração
Alexandre disse que os secretários passaram por um processo de enfrentamento de dificuldades neste mandato, mas já deixou recado caso seja eleito para os próximos quatro anos. “Agora, não dá mais para falar em dificuldade, porque a pessoa já está no processo”.

O emedebista evitou falar em mudanças de peças. “Hoje sou prefeito. Não posso, e é um desrespeito com eles (secretários), (com os) eleitores e os próprios candidatos, falar como vai ser o próximo governo. Não faço isso (...), quando passar a eleição, aí sim (se for vitorioso) na transição a gente decide quem vai e como vai”.

Na educação
O pré-candidato à reeleição cutucou os adversários pelo que classifica como "rasos" – ou falta de – discursos sobre melhorias na educação municipal. “Talvez seja porque eles também não saibam como ela está e o que fazer. Fica naquele papinho de vou fazer, vou melhorar. Superficial”.

Alexandre destacou o reconhecimento que está recebendo na educação de outros órgãos. “Estamos ganhando prêmios um atrás do outro. Agora veio o Tribunal de Contas da União, quatro auditores para entender o que a gente fez”. Aproveitou para explicar o motivo do atraso do material escolar individual para os estudantes, problema recorrente. “A licitação de kit escolar foi feita em julho do ano passado. Só que é tanto problema... O cara entra na Justiça, não entrega, não busca, você notifica e multa a empresa. É o processo, e aí atrasa um mês o kit. Neste ano vamos licitar os kits do ano que vem (mais cedo) para ver se funciona”.

Coleta do lixo
O prefeito reconheceu que a cidade está suja, disse que o contrato com a nova empresa entra em vigor em julho e promete melhorias. “Os serviços são insuficientes e a gente sabe disso. Já notificamos a empresa (atual), demos multa. Já virou guerra, porque precisamos fazer a cidade mais organizada. A cidade não está do jeito que eu gostaria que ela estivesse, mas ela vai estar. Daqui a dois meses”.

Transporte público
O anunciado rompimento do contrato com a empresas São José e a abertura de uma nova licitação ainda não saíram do papel. O emedebista afirmou que na próxima semana anunciará o contrato com a ANTP (Agência Nacional de Transporte Público) para fazer um estudo aprofundado sobre o transporte público em Franca para ser apresentado aos usuários. “A população decidirá o que ela quer. Quantidade de ônibus, condição dos veículos, ar condicionado, wi-fi, velocidade que esse ônibus vai andar, número de pontos e locais”.

Tema que rendeu crítica de Alexandre para a direção do Partido Novo. “Lá atrás, tem uma ação judicial que diz que em um novo edital, em uma nova contratação, as gratuidades vão ser perdidas. O Partido Novo entrou com uma representação no Ministério Público dizendo que eu não podia garantir para as pessoas que elas continuassem andando e pagando menos no serviço de transporte público. Queria garantir um benefício para as pessoas, e eles dizendo que não podia fazer isso. É o fim do mundo”.

Fechamento da Casa da Mulher
Ao ser questionado pelo fechamento da Casa da Mulher, vitrine de seu atentecessor, Gilson de Souza, disse que o déficit era de 15 mil consultas ginecológicas na cidade e o programa era "muito ruim". "Fui avaliar o que o Gilson montou. Lá, tinha um médico ginecologista, só que fazia 17 consultas por dia. Fiz 150 mil consultas em três anos. Hoje, as pessoas vão ser atendidas perto da casa delas. Se não tiver lá, ela vai para uma clínica particular e vai ser atendida. Lá, não tinha aparelho nenhum e estrutura nenhuma. Não tinha nada”.

Carnaval
Alexandre disse que não repassou dinheiro para a realização dos tradicionais desfiles das escolas de samba no Carnaval 2024 para destinar para outras áreas prioritárias do governo. “Preferi colocar dinheiro na saúde ao carnaval, naquela fase. A gente precisava reestruturar e organizar, principalmente, a saúde e a educação, também”.

Novas UBSs
O prefeito ainda prometeu as licitações das UBSs (Unidade Básica de Saúde) do Esmeralda e do Palma ainda para este ano. “O projeto já está pronto, temos orçamento. O dinheiro do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) saindo, no dia seguinte, a gente licita”, finaliza.

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