11 de julho de 2026
AGRESSÃO

‘Perdi o rumo, me senti humilhada’, diz técnica de enfermagem agredida no pronto-socorro

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo Pessoal
Vanessa Oliveira se diz abalada e pede para preservar sua imagem: “amo minha profissão”

Ainda muito abalada, a técnica de enfermagem que trabalha no Pronto-Socorro Infantil, de Franca, tirou alguns dias de folga. A profissional da saúde foi agredida com um soco no rosto pelo um pai de uma criança que já estava sendo medicada. O fato ocorreu na última terça-feira, 16, à noite, quando o agressor, de 33 anos, invadiu a ala reservada da unidade de saúde e agrediu a servidora.

Vanessa Oliveira tem 44 anos, é mãe de dois filhos e há nove anos se dedica à profissão de atender e cuidar de pessoas. Ela disse à reportagem que ficou muito abalada após a agressão, se sentiu desrespeitada e humilhada. “Eu me sinto muito abalada e [indignada] pela falta de caráter de um homem que tem a capacidade de fazer uma coisa dessa. A filha dele estava sendo atendida por mim. Eu deixei de fazer o atendimento pela grosseria, falta de respeito da esposa dele e, então, passei para uma colega minha dar continuidade. Ela não iria ficar desassistida, como não ficou. Aí a pessoa acha que deve vir e usar força bruta”, disse a servidora.

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Vanessa relata que a mãe da criança começou com as ofensas quando a menina ainda estava sendo preparada para coleta de material. Logo depois, foi surpreendida pelo marido. “Na hora que aconteceu, eu perdi o rumo, me senti humilhada, totalmente desrespeitada por uma situação de ser agredida diante de todos que estavam ali. Mas eu sei da minha competência, do meu caráter e do meu profissionalismo. Não fiz nada de errado, não agredi a criança, porque nem cheguei a fazer o atendimento. A única coisa que fiz foi fazer uma higiene íntima e colocar um coletor”, relatou.

A servidora acredita que o homem se aproveitou de uma desatenção da equipe de segurança para entrar até a sala de medicação, mas que o sistema de segurança precisa ser reforçado. “No exato momento em que o pai entrou, sem a permissão, estava havendo uma urgência com outra criança passando mal. Então, o segurança estava envolvido nesse caso, o pai aproveitou e entrou para me agredir. Quando havia a presença da Guarda Civil Municipal, nós éramos mais respaldadas, até pelos equipamentos e a forma de eles trabalharem. Se tivesse câmeras de segurança, tudo seria registrado”, afirmou.

Vanessa lembrou da época da pandemia, quando a categoria se dedicou no salvamento de vidas, reafirmando que ama a profissão. “Na época de pandemia nós fomos os heróis, hoje não somos mais nada, porque o brasileiro tem uma mente muito pequena e esquece que perdeu amigos e familiares na pandemia. Eu amo o que faço, amo o meu trabalho. Gosto de estar ali no pronto-socorro infantil, adoro cuidar (das pessoas).”

A técnica de enfermagem finalizou dizendo que seu agressor tem histórico de violência, tendo agredido um médico no pronto-socorro adulto, em 2014, reafirmando também que irá até às últimas instâncias em busca de justiça.

“Representei contra os dois (pai e mãe) e vou seguir com o processo em todas as formas que eu puder. Vou procurar meus direitos. Ele tem que ter atitude de homem, não de moleque. Ele não pode nem ter esse ‘logotipo’ de homem.”