11 de julho de 2026
FEMININO

Mulheres francanas são a maioria na hora do voto, mas poucas nos cargos eletivos

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Redes sociais
Vereadoras Lindsay Cardoso e Lurdinha Granzotte e a deputada estadual Graciela Ambrósio

No mês dedicado às mulheres, um levantamento aponta que elas estão à frente dos homens quando o assunto é votação nas urnas para cargos eletivos. Segundo dados da central dos cartórios eleitorais de Franca, o eleitorado feminino é de 53%, enquanto que o masculino é de 47%. Isso se tratando em um universo total de 247.161 eleitores na cidade. As eleições de 2024 serão municipais (eleição de prefeito e vereadores). Na esfera nacional, as mulheres também correspondem à maioria do eleitorado.

Apesar do número de mulheres ser maior na hora da escolha dos políticos, elas ainda são minoria nos cargos de modo geral. A presença da mulher ocupando cargos na política em Franca atualmente é de apenas 11,8%.

A cidade nunca elegeu uma mulher prefeita. Na Câmara Municipal, são apenas duas mulheres na atual gestão, entre 13 homens. Para o Legislativo, por conta do preenchimento de cotas obrigatórias por partidos, até que surgem mais opções de nomes femininos do que para o Executivo.

A participação feminina na área eleitoral ainda é um desafio. Isso sem dizer que a mulher conquistou o direito de votar somente em 1932.

'Mulheres são chamadas apenas para cumprir cotas"
Eliane Sanches Querino, professora, empresária e líder do Núcleo de Franca ‘Mulheres do Brasil’, diz que o francano é muito conservador e não está ligado na pauta de eleger mulheres, lembrando que a cidade conta com apenas duas vereadoras e uma deputada estadual.

“Acho que esse é o nosso recorde de participação feminina. As mulheres são chamadas apenas para cumprir cotas. Quando competem para valer, há uma violência política insuportável, que afasta muitas mulheres (supostamente) boas de voto dos pleitos locais. Não teremos nenhuma mulher concorrendo ao executivo – e não é de se estranhar, né? É preciso que as forças das instituições locais sejam ativadas para que seja dado um basta na violência contra mulheres candidatas”, disse.

Eliane pede que as mulheres se preparem muito para enfrentar as urnas de igual para igual com os homens para quebrar mais essa barreira ao longo da história. “No Mulheres do Brasil temos a meta de subir a participação da mulher para 50% – a campanha é ‘Pula para 50’. Temos que eleger mulheres que defendem as nossas causas da luta contra a violência, a desigualdade de gênero e de raça, a luta pelo meio ambiente, pela educação, e por aí vai”.

Textos da legislação deixam brechas
Toninho Menezes, advogado, professor e analista político, diz que o Brasil tem uma série de peculiaridades que fazem com que a participação das mulheres na política seja baixa. “Apesar de a legislação eleitoral ter evoluído em relação às mulheres nas últimas décadas, os textos ainda são abertos e deixam brechas para que as lideranças partidárias (a maioria homens) consigam utilizar de artimanhas que contornam a legislação. E sem investimento (dinheiro – repasse da verba partidária eleitoral) –, não há como uma candidatura ser competitiva”.

O analista político de Franca lembra também que a mulher brasileira está muito voltada a cuidar da família, citando o sistema nos EUA onde as mulheres podem contratar babás com o dinheiro da campanha eleitoral, considerado como custo de campanha. “Além de tudo isso, basta a mulher dizer que vai se candidatar e realmente fazer campanha, para começar a sofrer todo tipo de ataque, inclusive dentro do próprio partido político, que na maioria das vezes quer somente seu nome para utilizá-lo e cumprir a legislação eleitoral”.