10 de julho de 2026
SAÚDE PÚBLICA

Demora no atendimento nas UPAs e prontos-socorros gera revolta nos pacientes em Franca

Por Tiago Vieira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
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UPAs e prontos-socorros ficaram lotados na tarde desta segunda-feira

O Pronto-socorro Municipal "Álvaro Azzuz" e a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto foram alvo de reclamações de pacientes devido à lotação e demora no atendimento na tarde desta segunda-feira, 25.

No Álvaro Azzuz, pacientes que chegaram às 9h da manhã conseguiram atendimento médico somente por volta das 15h, como é o caso de João Roberto, de 62 anos, que procurou a unidade hospitalar na noite anterior por estar com febre e pressão alta. Nesta segunda-feira pela manhã, ele voltou para pegar os exames e passar novamente por atendimento médico.

“Peguei os exames às 9h da manhã e estou até agora (14h50) sem almoço, aguardando a consulta para mostrar os exames para o médico”, disse João, que ainda perguntou aos funcionários se havia alguma previsão do horário do atendimento. “Não me deram nenhuma previsão, a funcionária me disse que é assim mesmo, se quiser eu tenho que esperar mesmo tendo prioridade (pela idade)”, completou.

O jovem Ronald Ferreira, de 21 anos, chegou no Álvaro Azzuz por volta de 12h sentido febre e dores nas costas e nas juntas com suspeita de dengue. Às 15h30, não havia sido chamado e ficou surpreso ao saber pela enfermeira que havia pacientes esperando atendimento desde as 9h da manhã. “Eu acho um descaso com as pessoas. Raramente fico doente, e quando fico, tenho que esperar mais de três horas para receber uma medicação simples. É um descaso muito grande, com todo mundo que está aqui. Tem gente que está pior do que eu e tem que ficar aqui esperando. Se quem chegou às 9h está sendo atendido agora, imagina quem chegou depois de mim”, comentou Ronald.

Alguns pacientes mais debilitados não aguentaram ficar esperar tanto tempo esperando atendimento e foram embora, como é o caso de Jadson Silva, que levou o seu amigo já diagnosticado com pneumonia e dengue para ser atendido no pronto-socorro por volta das 9h da manhã, mas teve que levá-lo de volta para casa porque o amigo não tinha condições de permanecer esperando. “Ele não está bem. Não aguentou ficar sentado esperando com dor e febre altíssima e fomos embora para casa”, disse Jadson.

No Pronto-socorro Infantil "Magid Bachur Filho", também não faltou reclamação pela demora no atendimento. Uma mãe que não quis se identificar disse que estava há mais de duas horas na espera por atendimento ao seu filho, uma criança de 6 anos, que estava com febre e tonturas. “Acho uma pouca vergonha porque além da demora, quando vamos procurar informação, os funcionários nos recebem com falta de educação”, disse a mulher.

Na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto não foi diferente nesta segunda-feira. Pacientes que estavam aguardando atendimento médico desde as 10h da manhã foram chamados para atendimento médico somente às 16h. Patrícia, de 39 anos, que aguardava o marido ser atendido com suspeita de dengue, conta que uma mulher lesionada no dedo chegou a desmaiar na recepção da UPA, sendo levada para a triagem e em seguida foi liberada. “Não prestaram um melhor atendimento à mulher, ela foi embora carregada pelo marido”, conta Patrícia.

A avó de uma criança de 7 anos, que não quis ser identificada, estava há mais de 5 horas aguardando os exames do neto já diagnosticado com dengue e anemia, e voltou à UPA com a criança porque apresentava um sangramento na gengiva que fez aumentar a suspeita de dengue hemorrágica. A idosa alega não ter previsão de quando seu neto seria atendido após os exames ficarem prontos.

Secretaria de Saúde
Em nota, a Secretaria da Saúde de Franca reconhece que nos últimos dias as unidades de urgência e emergência têm registrado um aumento na busca por atendimento, principalmente com pacientes com queixas de síndromes gripais e de dengue. Somente no começo da semana, os prontos-socorros e UPAs registraram média de 3.500 atendimentos por dia.

O órgão ressalta que está acompanhando diariamente os números de atendimentos para adequar a equipe assistencial dentro da necessidade das unidades, além do fortalecimento do fluxo para que os pacientes atendidos nos prontos-socorros e UPAs tenham continuidade nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde).