A queda de braço entre Prefeitura de Franca e o Sindicato dos Servidores Municipais ganhou mais um capítulo nesta terça-feira, 19. O projeto, sem atender todas as reivindicações dos servidores, foi encaminhado para a Câmara Municipal, mas os vereadores decidiram não colocá-lo em votação. O Legislativo ainda aposta em um acordo entre as partes. Por isso, formalizou uma comissão para acompanhar possíveis negociações entre o Executivo e os representantes dos servidores.
O presidente da Câmara Municipal, Della Motta (Podemos) disse que os servidores precisam ser valorizados, mas acredita haver um componente político nesse momento que resultou na paralisação de parte dos funcionários públicos na cidade nesta segunda e terça-feira.
Pessoas ligadas ao prefeito Alexandre Ferreira (MDB) afirmam que a paralisação não teve uma adesão significativa e há interesse político nesse momento. No protesto desta segunda-feira, na porta da sede do sindicato da categoria, estavam presentes o deputado Guilherme Cortez (Psol), pré-candidato à Prefeitura, e o vereador Gilson Pelizaro (PT). O próprio presidente do Sindicato, Fernando Nascimento, é ligado ao PSB, que tem como pré-candidato a prefeito Marcos Ferreira. “Não tenha dúvida que tem um componente político, ainda mais neste ano de eleição”, disse Della Motta.
O presidente do Legislativo acrescentou que é hora de pensar nos trabalhadores, não em eleição, e sim valorizar os servidores. “Não pode colocar o servidor no meio de todo esse embaraço, nessa disputa. O servidor precisa ser valorizado. É um momento que o prefeito tem para valorizar aqueles que carregam a máquina pública”.
Como existe um prazo para concessão de aumento em ano eleitoral, Della Motta destacou que, independentemente de qualquer resultado das próximas negociações, vai colocar o projeto em pauta para votação na próxima sessão, dia 26. “Temos que tentar chegar a um consenso. Na realidade não está interferindo na lei de responsabilidade fiscal, tem uma gordura para queimar. Se não chegar a um acordo, esse projeto deve retornar à essa Casa e vai passar do jeito que o Poder Executivo encaminhar, porque se não os servidores serão prejudicados nos seus vencimentos dos benefícios”.
O projeto encaminhado pelo prefeito propõe reajuste de 3,86% nos salários, cartão alimentação e abono escolar. Esse percentual recupera apenas a inflação, não sendo oferecido nada de aumento real. Os servidores pedem 4% de aumento mais a inflação.