09 de julho de 2026
REFLEXÃO

Cresce número de inquéritos, estupros e medidas protetivas em Franca

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Marcos Santos/Usp
Ilustração de mulher sendo agredida por companheiro

Nesta sexta-feira, 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher. Não adianta homenagens ou presentes se a data não vier acompanhada de reflexão. Em Franca, os inquéritos policiais instaurados por elas subiram de 1.318 em 2022 para 1.545 em 2023 – ou seja, salto de 17,22%.

O levantamento foi realizado pelo projeto em proteção das mulheres Escuta Ativa, idealizado pelo promotor de Justiça Claudio Escavassini, com dados extraídos da SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo. Os números mostram que o percentual francano é superior ao registrado em Araraquara (-68,84%), Campinas (-8,33%), Ribeirão Preto (+12%) e São José do Rio Preto (+5,37%).

“Cremos que o fortalecimento da rede de atendimento de vítimas, serviços capacitados para acolher e orientar essas mulheres, são fatores que permitem que elas se fortaleçam, rompendo com o ciclo violência e denunciando os autores desses atos, elevando assim os registros de boletins de ocorrências”, disse o promotor.

Franca também lidera com 434,10 inquéritos policiais de violência contra mulheres a cada 100 mil habitantes. Na segunda posição aparece São José do Rio Preto, com 329,04, enquanto Ribeirão consta 311,87. Com menos do que a metade, Campinas (202,49) e Araraquara (119,99) completam a lista.

Processos de violência que nem sempre são fáceis de serem rompidos. "Dependência financeira, medo, vergonha, crença de que aquilo não mais ocorrerá, a própria família, entre outras situações, fazem com que vítima da violência doméstica permaneça nesse relacionamento",segue o promotor.

Já os estupros saltaram 47,5%, de 80 em 2022 para 118 em 2023, sendo 87 delas contras vítimas vulneráveis. Dados que contribuem para o aumento de medidas protetivas. Foram 923 pedidos no ano passado, com média 76,92 por mês. A cada 24 horas, pelo menos, duas mulheres solicitam a proteção do Estado.

"Superar todos esses obstáculos são os desafios que Estado e a própria família se deparam para que mulheres viviam livres da violência", finaliza Claudio Escavassini.