O descobrimento de uma doença é sempre um momento difícil para a família. Situação que se agrava quando quem deveria trazer alívio e esperança provoca mais problemas. Essa realidade é vivida por um homem de 71 anos, cuja neta Angela Batista conta que a Santa Casa Franca marcou uma cirurgia para a retirada de um tumor no rim nesta terça-feira, 27, mas foram informados de que não havia leito UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).
A via-sacra do idoso pela saúde pública começou em dezembro ao ser diagnosticado com tumor. Morador de Restinga, a família conseguiu marcar um urologista em Franca. Posteriormente, uma cirurgia para a retirada da anomalia foi agendada para março.
Na semana passada, precisou ser levado com urgência para a Santa Casa após passar mal. Ele ficou internado no sábado, 24, e a equipe médica optou por antecipar o procedimento cirúrgico para esta terça-feira.0
“O pessoal ligou para a minha tia, pediu para ele fazer jejum e para estar cedo no Hospital do Coração (pertencente ao grupo Santa Casa). Ele precisava estar lá, que não era para atrasar, que iria fazer a cirurgia. Quando ele chegou, trocou a roupa, colocou a camisola e ficou no quarto cirúrgico esperando. Ele não pôde fazer a cirurgia, porque não tinha leito na UTI”, diz a neta.
O paciente, que já enfrenta dificuldades de locomoção devido à sua condição de saúde, foi colocado em uma situação ainda mais vulnerável, sendo obrigado a esperar longe de qualquer conforto ou suporte adequado. “O hospital falou que a gente não poderia ficar com ele lá, porque corria risco de pegar infecção. Simplesmente as enfermeiras o colocaram na cadeira, falou que ele não ficaria lá e o colocaram no corredor”.
A família, diante da situação caótica, buscou auxílio através de canais institucionais, registrando boletim de ocorrência e entrando em contato com a Ouvidoria do hospital. Ainda segundo a neta, a médica teria informado que a cirurgia será realizada na sexta-feira, 1°. A sensação de desamparo persiste, especialmente diante da incerteza em relação a um novo agendamento.
“Corre o risco de chegar à sexta-feira e não ter essa vaga de novo. Acho que isso é desumano, fazer o que fizeram com ele. Não é um objeto que você pega e leva”, completa Angela.
Outro lado
Procurada pela reportagem para comentar o caso, a Santa Casa de Franca não se manifestou até o fechamento deste texto.