Sem acordo. Exatas 40 horas separaram as assembleias gerais de duas das principais categorias de trabalhadores em Franca. Enquanto os sapateiros disseram “não” ao reajuste salarial de 2%, mais a reposição da inflação na última quinta-feira, 22, os servidores públicos municipais recusaram a contraproposta enviada pela Prefeitura de 3,82% de aumento neste sábado, 24.
Com data base na próxima sexta-feira, 1º de março, cerca de 20 mil trabalhadores aguardam o fim das negociações para descobrirem o valor de acréscimo em 2024.
Cerca de 150 servidores compareceram à sede do Sindserv (Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Municipais de Franca e Região). Na mesa, 3,82% de reajuste salarial, de cartão alimentação e de abono escolar. Em uma situação hipotética, caso o percentual fosse aprovado, o servidor que recebe R$ 2,2 mil passaria a ganhar R$ 2.284. O cartão saltaria dos atuais R$ 950 para R$ 986,29. Já o abono de R$ 354 para R$ 357,82 – sendo o único item aceito pelos trabalhadores.
Os valores são abaixo dos propostos pelos sindicalistas no início das negociações. O presidente da categoria, Fernando Nascimento, havia solicitado 15% de reajuste salarial, R$ 1,5 mil de cartão alimentação e R$ 414 de abono escolar em 2025.
“Vamos tentar recursar com o prefeito (Alexandre Ferreira, MDB) para ver se melhora essa contraproposta apresentada aos servidores. Os servidores são colaboradores. Estão tocando a cidade de uma maneira muito correta e responsável. Precisamos da compreensão do prefeito”, disse Fernando.
Ainda segundo o sindicalista, a administração tem condições de melhorar a proposta para os servidores. “As contas da Prefeitura estão equilibradas. Apresentei um projeto no Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), onde mostram que as contas estão equilibradas. A Lei de Responsabilidade Fiscal da Prefeitura está controlada em 47%. Então, ele pode estar sim estar melhorando o nosso reajuste.”
Os servidores aguardam a marcação de uma nova data para voltarem a se reunir com a comissão do prefeito Alexandre Ferreira e prosseguirem com a campanha salarial.
Sapateiros
Além do reajuste salarial, os trabalhadores recusaram 2%, mais inflação, no abono escolar de 2025. Neste ano, o benefício foi de R$ 347. Segundo o sindicato dos sapateiros, os patrões não enviaram propostas para a criação de um vale refeição e para o aumento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), que, atualmente, é de 110 horas.
“A expectativa é boa. Estamos confiantes de que vamos conseguir avançar no número, vamos conseguir um percentual maior. Conversando com os próprios trabalhadores, há disposição deles em estar somando e se mobilizando para poder avançar na negociação”, pontuou o presidente do sindicato dos sapateiros, Wellington Paulo de Oliveira.
Ainda segundo o Sindicato dos Sapateiros, o representante patronal deve entrar em contato na próxima quarta-feira, 28, para marcar as datas das próximas reuniões para voltarem a discutir os valores de reajuste para a categoria.