Por um tempo, a pandemia de covid-19 foi apontada como um dos principais problemas de alfabetização de crianças no País. Naquele momento, segundo especialistas em educação, no processo de alfabetização infantil houve muita desigualdade em relação a quem tinha condições de aprender, tanto por meio do acesso a tecnologias quanto ao amparo em casa.
Pouco mais de 2 anos depois da retomada obrigatória das aulas presenciais no Estado, Márcia Bernardes, coordenadora estadual do programa de alfabetização da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), diz que não dá mais para usar a pandemia como “desculpa” para os índices considerados baixos, quando o assunto é alfabetização infantil.
Na última Avaliação da Fluência Leitora, do Governo do Estado, em dezembro de 2023, 64% das crianças matriculadas nas unidades estaduais e em 600 municípios participantes eram consideradas leitoras iniciantes ou fluentes. “É pouco. Nossa meta é chegar a 90% até o final desta gestão”, afirmou Márcia Bernardes em entrevista ao GCN/Sampi.
Para isso, o governador Tarcísio de Freitas e o secretário da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), Renato Feder, lançaram, na última terça-feira, 20, o programa Alfabetiza Juntos SP. A iniciativa, destaca Márcia Bernardes, quer unir os municípios e as diretorias de ensino com o objetivo de atingir mais a fundo a alfabetização de crianças até os 7 anos.
Mas como fazer isso? Dando mais suporte para escolas e professores, aponta a coordenadora estadual do programa de alfabetização da Seduc-SP. Entre as medidas, afirma Márcia Bernardes, estão o envio de material didático aos municípios, formação de professores, ampliação da aplicação da Avaliação da Fluência Leitura, que baliza as ações do programa e premia municípios participantes dependendo de sua colocação.
“A premiação serve de estímulo e de alerta. Estímulo às escolas, que recebem prêmio em dinheiro e podem focar ainda focar em ações mais sistematizadas. E de alerta aos prefeitos que não foram premiados, para olharem para suas escolas”, destaca Márcia Bernardes.
Neste ano, com a expectativa de implantação do Alfabetiza Juntos SP nos municípios paulistas, a previsão é que a avaliação tenha duas edições, no fim do primeiro e do segundo semestre.
Como vai funcionar
A adesão dos municípios ao Alfabetiza Juntos SP deve ser feita por meio de cadastro no Plano de Ações Integradas do Estado de São Paulo (Painsp). No regime de colaboração entre Estado e prefeituras, a Secretaria da Educação ficará responsável pela formação continuada para professores alfabetizadores, gestores escolares e equipes regionais.
A capacitação será feita em encontros online e presenciais, com formação desenvolvida pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do Estado de São Paulo (Efape). Ainda haverá:
A expectativa do Estado é investir R$ 200 milhões na ação.