Franca, conhecida como um dos principais polos calçadistas do país, enfrentou um duro golpe econômico em 2023, com o fechamento de 2.307 postos de trabalho na indústria de calçados. Dados divulgados pelo Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) mostram que o número de carteiras assinadas no setor, em dezembro do ano passado, totalizou 11.681, enquanto, no mesmo período de 2022, eram de 13.988.
Cenário inimaginável há uma década. Em 2013, o setor calçadista atingiu o apogeu ao contabilizar 23.419 colaboradores formais. Agora, amarga o segundo pior resultado desde o início da série histórica no ano 2000. Com os impactos econômicos causados pela pandemia do coronavírus, 2020 fechou com 10.262 carteiras assinadas nas fábricas de calçados.
Os números locais refletem o momento do setor no país. A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) contabiliza que 20,7 mil postos de trabalho foram extintos em 2023. A indústria terminou empregando um total de 275,5 mil pessoas, 7% menos do que em 2022.
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, explica que a crescente nas importações asiáticas está prejudicando o setor. O Governo Federal publicou uma portaria no Diário Oficial da União em 30 de junho reduzindo a alíquota do imposto sobre importações para 0% em compras on-line de até US$ 50, aproximadamente R$ 250.
“O principal fator dessa perda é o impacto da concorrência desleal com as plataformas digitais internacionais (...) as importações de calçados via plataformas não são nem mesmo computadas, mas sabemos que o número é muito elevado. Essa invasão digital está colocando em risco não só a indústria de transformação, mas milhares de empregos”.
Combinação de fatores que, segundo o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão, coloca em aberto como será o ano de 2024. “Considerando a crise internacional, o desaquecimento da economia interna e agora a entrada de produtos asiáticos isento de tributos, e a inércia do Governo do Estado e do Federal, em relação a tributos e com consequências às exportações, é difícil prever o que vai acontecer”, finaliza.