11 de julho de 2026
SEM IMUNIZANTE

Procura por vacina contra dengue dispara em Franca e produto já falta na cidade

Por Giselle Hilário | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo/Agência Brasil
Franca não está na lista de cidades do Ministério da Saúde para receber o imunizante; por enquanto, é preciso apelar para clínicas particulares

Em 35 dias, a Secretaria de Saúde de Franca registrou 280 casos confirmados de dengue na cidade, com seis internações. Um aumento de mais de 200% se comparado com janeiro do ano passado, quando a cidade teve 90 casos da doença.

O elevado número de registros da doença provocou uma corrida às clínicas particulares de pessoas em busca da vacina, que praticamente se esgotou na cidade. De quatro empresas pesquisadas, apenas uma tinha o produto na manhã desta terça-feira, 6. Mas não havia como prever quanto tempo o estoque duraria, levando em conta a intensidade da procura.

Izabela Nogueira Tizzo, enfermeira e gestora da unidade da Santa Clara Vacinas, onde ainda havia doses de vacina contra a dengue nesta manhã, disse que cerca de 30 pessoas procuram pelo produto por dia. A busca se intensifica na medida em que o número da doença cresce.

Em outras clínicas da cidade (Vaccinare – Clínica de Vacinas, Instituto Francano de Vacinação e Clínica de Vacinas Proteger), a informação era a de que o produto esgotou e há longa de fila de espera. Questionadas sobre quando haveria imunizantes disponíveis, em todas a resposta foi a mesma: o pedido foi feito, mas não há previsão de quando o produto vai chegar.

Informações veiculadas pelo jornal Folha de S.Paulo nesta semana indicam que a farmacêutica Takeda, fabricante da Qdenga, vacina contra a dengue, limitou o fornecimento ao mercado privado para priorizar o atendimento ao Ministério da Saúde. O imunizante deve ser distribuído pelo SUS (Sistema Único de Saúde) ainda em fevereiro para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em regiões de maior circulação do vírus.

Disponível na rede particular desde julho do ano passado, o preço do imunizante varia de R$ 400 a R$ 500. O esquema vacinal é composto de duas doses.

Franca não está na lista de cidades que receberão vacina
Onze municípios paulistas da região do Alto Tietê receberão a vacina contra a dengue, de acordo com lista divulgada pelo Ministério da Saúde. Franca não está entre eles. Os locais fazem parte de uma lista de mais de 500 cidades pelo Brasil que foram selecionadas de acordo com a situação epidemiológica.

No estado de São Paulo, os municípios que vão receber as doses nos próximos dias são Guarulhos, Suzano, Guararema, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Mogi das Cruzes, Poá, Arujá, Santa Isabel, Biritiba-Mirim e Salesópolis.

Quem pode tomar a vacina
Com o aumento do número de casos, a procura pela vacina contra a dengue disparou. A Qdenga já era já era oferecida  em clínicas desde o ano passado. O imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2023.

Segundo a bula, a Qdenga pode ser aplicada em pessoas de 4 a 60 anos. Essa também foi a faixa etária autorizada para aplicação da vacina pela Anvisa. São recomendadas duas doses com intervalo de três meses entre elas, e a imunização é conferida um mês após a segunda aplicação.

O imunizante não é recomendado a alguns grupos, como pessoas imunodeprimidas, gestantes, lactantes, pacientes com febre ou alérgicos a algum componente da vacina. Além disso, o imunizante não é autorizado para aplicação em idosos, apesar de essa ser uma das faixas etárias mais atingidas pela doença.

Combate ao Aedes é o melhor caminho
Combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor de todas as arboviroses que atualmente circulam no país, inclusive a dengue, é o principal caminho para barrar a proliferação da doença. Mas mesmo com busca ativa, Arrastão da Dengue e palestras nas escolas e em locais de grande concentração de pessoas realizadas pela Secretaria de Saúde de Franca, ainda é grande o número de pessoas que não cuida de seus quintais. Isso significa criadouros ativos e mosquitos transmitindo a doenças e praticamente todos os bairros da cidade.

Uma enfermeira que preferiu não se identificar avalia que enquanto as pessoas não se conscientizarem de que o problema depende mais delas do que do poder público, o Aedes vai ganhar a “guerra”.