11 de julho de 2026
DE OLHO

Crise na indústria calçadista também se instala nas empresas do Ceará

da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Sindifranca
Sindicato da Indústria de Calçados de Franca avalia que 2023 foi um ano desafiador para o setor

O desenvolvimento tecnológico do parque calçadista e o aperfeiçoamento constante de seus recursos humanos transformaram Franca na capital do sapato masculino. Mas a situação não é nada boa para o setor há muito tempo.

Dados da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) indicam que, entre janeiro e novembro do ano passado, a indústria calçadista nacional perdeu 7,67 mil postos de trabalho na atividade. Só em novembro, o pior mês do ano, foram perdidas quase 6 mil vagas no país.

O Rio Grande do Sul, considerado o maior empregador do setor calçadista, perdeu 1,84 mil vagas nos 11 meses de 2023, aponta a Abicalçados. O Ceará, segundo empregador da atividade no Brasil, perdeu 2,47 mil postos de trabalho entre janeiro e novembro de 2023.

Nos últimos anos, por conta de incentivos fiscais oferecidos pelo Governo do Estado, a movimentação de empresas de calçados rumo ao Ceará tem sido intensa. Não há dados fechados, mas muitas empresas antes baseadas em Franca mudaram-se para o Estado em busca de crescimento. Agora, a perda de competividade do setor calçadista e fechamento e empresas acende o alerta. E como ficam as empresas que se mudaram?

Segundo a Abicalçados, um fator que tem gerado ainda mais preocupação é o aumento das importações no comércio asiático.  Dados da associação veiculados pelo Diário do Nordeste apontam que, em novembro passado, as compras de calçados do Vietnã, Indonésia e China tiveram incremento de 38% em receita e de 10% em volume, alcançando US$ 29,43 milhões e 1,44 milhão de pares. Já no acumulado do ano, as importações cresceram 26,6% e 11,5%, respectivamente, somando US$ 327 milhões e 22 milhões de pares. Os números preocupam a indústria nacional do setor calçadista.

Ano desafiador
José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), definiu como desafiador o ano de 2023 para o setor, em mensagem de fim de ano aos associados. “Todos sabemos que a luta de quem empreende no Brasil nunca foi fácil, mas esse ano teve um toque de intensidade como nunca visto”, afirma no texto veiculado pelo GCN Sampi.

O ano, segundo ele, já começou cheio de incertezas, mas apesar da busca por oportunidades e do estreitamento de laços com o governo do Estado afim de retomar o diálogo em torno do plano de recuperação e reestruturação do parque calçadista paulista, 2023 não fecha como imaginado pela categoria.

67% dos francanos têm ligação com os calçados
Pesquisa da Ágili, contratada com exclusividade pelo Portal GCN/Rede Sampi, e veiculada em comemoração doa 199 da cidade, mostra que 33,33% dos entrevistados é ou foi trabalhador de uma banca de pesponto ou fábrica de sapatos em Franca. Quando perguntado se alguém da família já atuou no setor, o percentual sobe para 67,17%.