A cada janeiro de um novo ano, as contas se acumulam e testam a paciência e a capacidade de planejamento financeiro das famílias. Nesta época, as despesas extras com IPVA, que começou a vencer na quinta, 11, material escolar e fatura dos cartões de crédito com valor além do normal por causa das compras de Natal e viagens desequilibram o orçamento. E a situação é ainda pior para quem não tem disciplina. Dor de cabeça na certa.
O economista Reinaldo Cafeo afirma que o ideal era ter se programado em 2023 para as contas de início deste ano, mas se isso não foi possível, é hora de traçar prioridades. “Comece pagando dívidas que incidem maior custo financeiro. Dívida do cartão de crédito, por exemplo”, afirma. Cafeo lembra que a regra mudou este ano, limitando os juros a 100%, mas alerta: não vale para dívidas do ano passado. E os juros são salgados, na casa de 15% ao mês. Rolar a dívida no rotativo deve ser a última opção.
Outra modalidade cara, alerta Cafeo, é o cheque especial, com juros na casa dos 8% ao mês. “Se o dinheiro não for suficiente para as demais despesas do mês, incluindo gastos extras, o ideal é parcelar, como por exemplo, negociar a matrícula escolar. Caso necessário, venda algum bem”, orienta. “Penhor de joias pode ser uma fonte de financiamento até que as coisas melhorem. Caso tenha que buscar dinheiro em banco, além do penhor, o crédito consignado é indicado, pois tem juros menores”, emenda.
Mas atenção: sempre quando for emprestar dinheiro de terceiros, vale estabelecer prazos e estratégias de liquidação. É fundamental, afirma Cafeo, fazer o diagnóstico do que levou ao desequilíbrio financeiro e não cometer os mesmos erros daqui para frente.
Material escolar
As livrarias e papelarias já estão lotadas de pais desesperados com a lista de material escolar em mãos. Antes de sair comprando, porém, vale dar uma boa olhada nela. Reinaldo Cafeo salienta que a legislação indica que material de uso coletivo não pode ser solicitado ao aluno - papel higiênico, por exemplo.
E mais: o aluno não é obrigado a levar todo o material que vai ser utilizado durante o ano. “Neste particular veja com a escola o cronograma de uso e compre aos poucos”, diz Cafeo. Outra dica é cooperar com outros pais e responsáveis, já que compras em volume tendem a ter desconto interessante. Também vale negociar com os filhos o tipo de material, evitando as grifes que são mais caras. Não levá-los às compras é uma boa maneira de economizar e evitar estresse.
Além disso, dê uma boa analisada no que sobrou do ano passado: lápis de cor, apontador, mochila, canetas, estojo, uniforme etc. Muitas coisas podem ser reaproveitadas e, ao final, a economia pode compensar bastante.
Vale ver também no WhatsApp da escola quem tem material em bom estado do ano anterior para vender ou trocar.
Programe-se para 2025
Pode não parecer, mas um ano passa rápido. E se a ideia é evitar o sufoco em janeiro do ano que vem, comece a se programar já.
Reinaldo Cafeo ensina que é preciso levantar os custos fixos mensais (aluguel, água, luz, mensalidade escolar, supermercado, farmácia, lazer etc) e fazer um esforço de compor uma reserva de emergência. “O ideal é que a pessoa tenha o equivalente a 6 meses do custo fixo. Por exemplo, se somando tudo totaliza R$ 3 mil por mês, neste caso, ao longo deste ano o esforço é para chegar no fim do ano com R$ 18 mil reservados (aplicados)”, diz. “Além disso, vale rever o padrão de vida, evitando gastar mais do que a renda permite.”
O economista diz que a família precisa fazer um esforço para poupar ao menos 15% da renda líquida mensal. Caso esteja apertado, comece com menos e vá subindo gradativamente. “Reveja os gastos supérfluos, o uso exagerado do celular e TV cabo. Enfim, entenda o tamanho da sua renda e adeque o gasto a este tamanho. Isso pode trazer tranquilidade no início do ano que vem”, ensina Cafeo.