A democracia foi abalada no dia 8 de janeiro de 2023, quando golpistas de várias cidades e estados do Brasil, incluindo Franca, invadiram Brasília na tentativa de golpe. O grupo não aceitava o resultado das eleições presidenciais de 2022 em que Bolsonaro (PL) foi derrotado pelo atual presidente, Lula (PT), e pedia a intervenção militar.
O movimento provocou uma quebradeira nos prédios públicos na Praça dos Três Poderes. A tentativa frustrada de golpe completa um ano nesta segunda-feira, 8 de janeiro de 2024.
Confira abaixo alguns tópicos com o envolvimento de francanos. Os nomes constam da lista de presos e foram divulgados pelo noticiário nos dias seguintes ao episódio.
A francana Shara Silvano Silva, de 23 anos, foi uma das primeiras pessoas de Franca presas no atos antidemocráticos em Brasília a ser identificada em um levantamento feito pelo portal GCN. A jovem era uma militante ativa nas redes sociais em prol do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Na época dos fatos, Shara passou por audiência com um juiz após ser presa e teve a prisão em flagrante decretada.
"Ajuda eu"
'Pelo amor de Deus, 'ajuda eu' e mais 30 francanos', diz homem preso em ginásio da PF. Um vídeo publicado nas redes socais mostrou Tadeu Ribeiro dos Santos, 42 anos, pedindo socorro. Tadeu fez parte de um grupo de ao menos quatro francanos que foram presos em flagrante dentro do prédio do STF (Supremo Tribunal Federal). Além dele, o empresário Douglas Ramos de Souza, de 31 anos, também foi identificado na lista das 1.138 pessoas presas em Brasília.
Também foram presos e posteriormente soltos, alguns com medidas cautelares, outros francanos denunciados pela Procuradoria Geral da República: José Edson Ferreira, Geraldo Aparecido de Oliveira, Adriana Salvador Plácido, Ana Maria Anja Cardoso, Marcos Donizete Freitas, Maurício Donizete da Silva, Shara Silvano Silva e Paulo Firmo Cintra.
Entre os crimes denunciados, se encontram associação criminosa armada; abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça com emprego de substância inflamável contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima; deterioração de patrimônio tombado e outros.
No dia 2 de fevereiro, uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura dos primeiros seis moradores de Franca que se encontravam presos no Distrito Federal por conta dos atos golpistas de 8 de janeiro. Outros foram soltos depois em listas separadas.
De tornozeleira
Após 7 meses preso por atos golpistas em Brasília, o empresário francano Douglas Ramos de Souza, de 31 anos, proprietário de uma garagem de venda de veículos usados na região da Estação, deixou a cadeia com tornozeleira eletrônica. Na época, ele foi colocado em liberdade com medidas cautelares, como recolhimento noturno e aos finais de semana mediante obrigação de se apresentar à Justiça às segundas-feiras, cancelamento de passaporte, proibição de sair do país, suspensão de documentos de porte de arma de fogo, proibição de utilizar redes sociais e de se comunicar com os demais envolvidos no caso.
Transporte suspeito
Empresas de ônibus também foram apontadas como suspeitas nos atos golpistas por levaram os francanos para Brasília. Na quarta-feira, 11 de janeiro, uma matéria Jornal Nacional, da Rede Globo, revelou que a empresa Osvaldo Turismo constava em um relatório de inteligência feito pela PRF (Polícia Rodoviária Federal).
Foi revelado que a empresa fazia parte de um grupo de 25 empresas paulistas suspeitas, das quais 18 teriam cobrado valores abaixo de R$ 5 mil para ir do Estado de São Paulo até a Capital Federal. Segundo a PRF, os valores de mercado para o fretamento de ônibus nesse percurso gira em torno de R$ 15 mil. Os contratos da Osvaldo Turismo em duas viagens no percurso Franca-Brasília foram feitos pelo próprio sócio-proprietário, Jeanfrander Araújo. Segundo apurou o JN, Araújo aparece como contratante de um ônibus que levou 60 pessoas para Brasília no sábado, 7, à noite. E também como contratante e motorista de um outro ônibus da mesma empresa com 52 passageiros, que saiu de Franca no mesmo dia e horário, segundo a reportagem.
Na época, um levantamento da Agência Pública, um site de jornalismo investigativo, também revelou que a Nogueira Turismo, cujo proprietário é Maurício Nogueira Dias, candidato a deputado estadual nas últimas eleições, mas que não foi eleito, também estava entre as empresas que enviaram ônibus ao Distrito Federal.
O ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes havia determinado a apreensão e bloqueio de todos os ônibus identificados que levaram os golpistas.
A empresa Cristo Rei de Franca também chegou a ser apontada como das empresas que levou francanos à Brasília. Fretado no valor de R$ 8 mil, o ônibus seguiu com os assentos lotados, mas voltou para o Interior de São Paulo apenas com o motorista. O ônibus da empresa foi liberado e saiu de Brasília ainda no domingo, 8, data marcada por atos terroristas na Praça dos Três Poderes. Diferentemente dos quase 90 veículos identificados pela Polícia Federal, este veículo de Franca não foi apreendido.
O proprietário da empresa, João Neto, afirmou na época que não foi procurado pela Justiça, mas que estava à disposição e esperava o contato para prestar todas as informações. “Ainda não me chamaram, mas estou aguardando. Já separei a lista de passageiros com a identificação de cada um, inclusive dos contratantes”, disse ele.
Matéria atualizada às 18h03