O movimento na porta do Centro Pop, localizado no bairro Vila Formosa, região central de Franca, parece aumentar a cada dia que passa. O atendimento oferecido pela Prefeitura é para cerca de 130 pessoas em vulnerabilidade social, mas a sensação é de uma invasão de moradores em condições de rua naquela região da cidade.
Desde a implantação do equipamento social há dois anos, os moradores do bairro vêm sofrendo com perturbação de sossego, importunação, furtos, brigas, sujeira, uso e tráfico de drogas. Nas últimas semanas, as sombras das árvores existentes numa grande área de lazer que fica em frente ao equipamento social vêm servindo de abrigo para essas pessoas que fazem churrasco e jogam baralho, regado de bebidas e muita gritaria.
Recentemente, a Polícia foi chamada para atender uma ocorrência de atos obscenos ocorridos dentro do prédio. No dia 17 de dezembro, um domingo, outra operação da Polícia Militar foi realizada para tentar conter possível tráfico de drogas nas proximidades.
Os vizinhos do Centro Pop relatam o crescimento do número de pessoas que ficam debaixo das árvores e nas proximidades do prédio social. “Nós estamos muito preocupados. O pessoal fica debaixo dessas árvores aqui. A gente não consegue dormir à noite, eles gritam, ficam o dia inteiro fazendo bagunça. Nós não podemos sair para fora, dar uma voltinha no bairro. Tem uma praça aqui em frente, mas a gente não pode usufruir dela, nem fazer caminhada”, disse uma vizinha.
Outra moradora, que mora em frente ao prédio de acolhimento, relata que a família plantou algumas árvores no espaço onde fica a praça, mas que agora virou um pesadelo. “Meu marido, que cuidou de algumas árvores, plantou outras, mas agora eles (moradores de rua) ficam aqui embaixo o tempo todo, gritando, jogando truco a noite inteira. Sem falar das cenas explícitas que a gente vê. Tem nossas crianças que ficam vendo tudo isso, pessoas vomitando, bebendo. Tenho fotos de todas essas cenas”, disse.
Ela conta que no dia que a Polícia Militar esteve averiguando possível tráfico de drogas próximo ao Centro Pop, a família quase não conseguiu deixar a residência. “A gente estava saindo para a igreja, mas quase não teve jeito de sair de tanta polícia que juntou aqui na porta da minha casa. Parece que a polícia estava prendendo um traficante. Às vezes a gente tem medo de chegar à nossa própria casa, tem medo de sair. Existe uma dica que, ao chegarmos em casa, é preciso dar uma volta para ver se não tem gente estranha perto. Aqui não tem jeito porque eles moram de frente à minha casa, na calçada. Eles usam drogas, fazem churrascos, fazem comida. Tem até um sofá agora”.
Vivendo com receio e com seus imóveis desvalorizados, os moradores pedem ajuda das autoridades para o caos que se instalou no bairro. “Meus netos não podem ver isso, jamais pensei que eu fosse passar por isso na minha vida. Nós estamos presos, de verdade, dentro das nossas próprias casas. Tá insuportável, fora o tráfico, toda hora para carro atrás de drogas aqui. Ninguém quer comprar essa casa, pra gente ir embora daqui. Tá virando uma cracolândia isso”, desabafa outra moradora vizinha ao Centro Pop.
Segundo o último levantamento do Cadúnico, Franca conta com cerca de 700 moradores em condição de rua. A Prefeitura informou que cerca de 130 pessoas são atendidas diariamente englobando o Centro Pop, Abrigo e Casa de Passagem.
Os nomes dos moradores próximos ao Centro Pop foram preservados a pedidos por questão de segurança