10 de julho de 2026
DESESPERO

'Preciso de ajuda, estou sozinha nessa luta', diz francana com filho no mundo das drogas

Por Giselle Hilário | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Agência Brasil
Com medo de que o filho seja morto, mãe pede ajuda para tirá-lo do mundo das drogas (foto ilustrativa)

Desespero. Se você procurar no dicionário, vai ver que é o “estado de profundo desânimo de uma pessoa que se sente incapaz de qualquer ação”. É exatamente assim que Roseli*, moradora do Jardim Portinari, em Franca, se sente há anos. Há mais de 10 ela trava uma batalha diária na tentativa de tirar o filho Taluan*, 30 anos, das drogas.

Apesar de ser casada e ter outros dois filhos, de 34 e 25 anos, ela diz que está só na luta. “Eles são contra. Estou sozinha. Preciso de ajuda”, pede. “Ele [Taluan] está correndo risco de morte. Vão matar ele”, diz, para logo em seguida contar que no último dia 11 ele foi brutalmente agredido em uma mata. Chegou a ficar internado por causas dos ferimentos.

E chora. Um choro de mãe que não sabe mais a quem recorrer, mas tem a certeza de que não vai desistir.

Roseli até entende os motivos que fazem com que as pessoas saiam de perto dela e do filho. De uns tempos para cá, Taluan começou a praticar furtos para sustentar o vício. “Ele não pode ter nada, porque vende ou troca por drogas. Já tirou coisas de casa. E começou a furtar”, lamentou.

Neste mês, pela segunda ou terceira vez – ela não sabe ao certo – Taluan furtou o mesmo lugar. Dias depois, foi brutalmente agredido. “Ele estava no meio do mato e deixaram ele lá para morrer. Mas conseguiu sair e pedir ajuda. Foi levado ao hospital sujo, todo quebrado, nu”, conta. Roseli acredita que é consequência desse furto recorrente, mas evita acusações. “Só que nessa madrugada [27], ele voltou ao mesmo lugar e fez mais um furto. E não apareceu mais em casa. Estou com medo do que possa acontecer.”

Internações
Taluan, conta Roseli, já ficou internado ao menos cinco vezes nos últimos anos. Mas volta ao vício. Agora, ela busca por internação compulsória. E conseguiu numa cidade próxima de São Paulo, mas perdeu a vaga porque Taluan estva se recuperando da surra que levou.

Roseli, que inicialmente apelou para Defensoria Pública, mas depois constituiu advogado por causa da demora, agora precisa de um laudo médico para encaminhar ao juiz e conseguir uma nova vaga compulsória. E ela espera conseguir nesta sexta-feira, 29, quando Taluan tem consulta no Caps (Centro de Atenção Psico-Social). "Ele já não tem mais condições de decidir sozinho. Das outras vezes, concordou com as internações. Mas agora não tem mais como decidir", lamenta a mãe.

‘Hoje ele fuma até bombril’
Taluan, conta Roseli, começou a usar drogas por volta dos 14 anos. No início era só maconha. Depois, partiu para drogas mais pesadas. “Hoje está no crack.”

As internações começaram há cerca de 10 anos. “Ele fica uns meses bom, mas volta para as drogas. Hoje ele fuma até ‘bombril’ quando não tem outra. É desesperador.”

Ajudante de calheiro, Taluan já não consegue mais trabalhar. Mas Rosali não perde a esperança. Ela chora ao lembrar que ele era uma criança arteira, "mas se envolveu com coisas ruins". “Ele é um bom filho. Não é agressivo comigo, só faz mal para ele mesmo. E começou a furtar. Por isso precisa de ajuda, antes que o pior aconteca”, pede, aos prantos.

Roseli ainda pede que as pessoas que tenham sido vítimas de furtos praticados por Taluan façam Boletim de Ocorrência. Ela acredita que os BOs a ajudarão a conseguir a internação compulsória mais rapidamente e por mais tempo. E, diz, vai seguir lutando pelo tempo necessário.

* Os nomes foram preservados a pedido da mãe.