Dos tanques de guerra ao trenó puxado por renas. Aos 66 anos, José Luís Silva personifica o Papai Noel do Franca Shopping. O que o público desconhece é que a barba branca, além de caracterizar o personagem, reflete a experiência de um homem que serviu no Exército Brasileiro.
Casado há 45 anos com Ueila, e pai de Davi, de 43 anos, o morador do Jardim Aeroporto ll atuou ao longo de 12 anos como cabo no 17° Regimento de Cavalaria Mecanizado, em Amambaí, município de 39,8 mil habitante do Mato Grosso do Sul.
Com a farda verde oliva aposentada, José Luís trabalha atualmente com serviços gerais em um condomínio, cuidando da manutenção e portaria. O francano nutre uma paixão por marcenaria e cutelaria, dedicando seu tempo livre a criar facas artesanais. Seus afazeres, não o impede de distribuir carinho e atenção ao próximo.
Envolvido com trabalhos sociais em asilos, suas irmãs resolveram colocar uma touca em sua cabeça durante uma festa de fim de ano. Nascia o Bom Velhinho. "Como estava com barba, elas disseram que no próximo ano eu seria Papai Noel na creche. Comecei na creche São José, onde, inclusive, uma irmã é coordenadora".
O talento foi garimpado pelo shopping, onde dá vida ao icônico personagem há seis anos. Neste tempo, já ouviu inúmeros - e inusitados - pedidos. "De cachorrinho até cavalo. Veio um pessoal que pediu celas para cavalos. Tem adulto que sentou aqui comigo e pediu para ajudar em um negócio que ele está fechando, tratava-se da compra de uma academia".
"Tem crianças que são muito sinceras e abertas com o Papai Noel. Costumam ser muito verdadeiras. Então, a gente aprende com eles a ser mais generoso, ter mais amor, porque tem horas que queremos explodir, mas não podemos".
Esse carinho pelo Natal não começou hoje. Para a família Silva a data é carregada de simbolismos. Educados na doutrina católica, celebram o presépio, a Folia de Reis e outras festividades que englobam a temporada natalina.
"Trabalho dia 24 até às 2 horas entregando presentes em residências, e depois vou curtir a minha família. Dia 25 ainda tenho as visitas que faço. Recebo algumas crianças em casa e dou presentes. Tenho alguns brinquedos e cestas básicas que ganho, distribuo também".
José Luís considera sua rotina um pouco "exagerada", conciliando o trabalho no condomínios com o de Papai Noel. Após o dia 25 de dezembro, o planejamento se resume a uma palavra: descansar. Mas, até lá, segue levando alegria para "jovens" e "velhas" crianças.
"A mensagem que eu deixo para o povo é que não esqueça de comemorar o Natal. Esse espírito natalino que traz a união, a paz e a harmonia entre as pessoas. Estejam sempre juntos, família unida. Vamos comemorar", finaliza.