11 de julho de 2026
OUTUBRO ROSA

‘Não quero só acordar, quero viver!', diz vendedora que enfrenta câncer de mama

Por Karla Rodrigues | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Elizângela Cristina da Silva, 35: 'Daqui para frente, eu quero viver!'

Deitada na cama, tocou a mama como de costume. Apesar de já ser parte da rotina, naquele dia percebeu algo diferente: uma esfera do tamanho de uma ervilha na mama esquerda. Foi assim que a vendedora Elizângela Cristina da Silva, 35, descobriu o nódulo do câncer de mama em 2019.

“Quando recebi o diagnóstico, o chão se abriu, porque bate o desespero em pensar em quem está à sua volta. Meu primeiro pensamento foram meus filhos. A gente pensa que vai morrer”, disse a mulher que mora em Igarapava e fez o tratamento no Hospital de Câncer de Franca.

Apesar do pensamento inicial, se lembrou da mãe, também vítima de câncer de mama. “Ela já tinha feito o tratamento, estava bem”. Esse motivo trouxe esperança a Elizangela. “Vai dar certo! Deu certo na minha mãe e vai dar em mim”. Porém, o maior motivo da sua força interna florescer foram os três filhos, naquela época com  2, 3 e 11 anos.

Nem todos os dias foram fáceis, principalmente após o início da quimioterapia. Quando os fios de cabelo começaram a cair, decidiu raspar. “Eu acho mais doloroso você ver o cabelo caindo do que passar a maquininha. Se você vê caindo, você pensa ‘eu estou acabando”.

Os filhos estavam viajando no momento do corte. “Na hora que eles chegaram, eles não choraram, não acharam feio”, relata.

Para Elizângela, o que mais afetou a autoestima foi a perda das sobrancelhas. “Eu fazia todos os dias, porque eu achava muito estranho”, afirma. Quando terminou o tratamento em junho de 2020, dizia aos filhos que todos os fios iriam nascer novamente e escutou do caçula ‘ah, não! Eu gosto tanto do meu kiwi. Meu kiwizinho vai ter cabelo’, lembra, aos risos.

Para não ter o risco de o câncer voltar novamente, retirou a mama esquerda. “É muito estranho! É um choque não ver nada”. Depois da cirurgia, substituiu as blusas de alça pelas camisetas fechadas por medo de as pessoas perceberem o sutiã com o preenchimento. “Depois de um tempo, percebi que eu poderia adaptar a roupa ao meu corpo, mas no começo foi bem desafiador”.

Após um ano da retirada, já havia se adaptado, mas ficou feliz ao fazer a cirurgia de reconstrução. “É emocionante ter a mama de volta. Você não tem receio de nada, sua autoestima eleva, porque ela dá uma abaixada. Eu me cuidei mais, da minha aparência”, explica.

Quando a vida parecia voltar aos eixos, o caminho se alterou de novo. Elizângela descobriu outro nódulo, dessa vez, na mama direita. “Eu não esperava ser tão rápido”, desabafou. Recebeu o diagnóstico em abril deste ano. “Fiquei até mais apavorada por ter sido o segundo”.

O desespero foi tanto, que decidiu pedir demissão da loja em que trabalhava. “Antes de fazer o exame, eu travei. Eu não conseguia ser mais espontânea, ser alegre. Aquilo começou a me atrapalhar, e as pessoas começaram a perceber”. Elizângela estava prestes a receber uma promoção e só conseguia pensar em como deixaria as colegas de trabalho desamparadas.

Nesse período, iniciou tudo novamente. Porém, a quimioterapia foi mais agressiva nas duas primeiras sessões, causando até desmaio. “Sentia muita fraqueza. Fraqueza de não conseguir ficar em pé”.

Quando recuperou a resistência, passou a levar a doença com mais tranquilidade, retornando a rotina de cuidados. “Me maquio para ficar bonita ao olhar no espelho, para que eu consiga trabalhar o meu emocional”.

A vendedora conclui o tratamento com quimioterapia e, agora, aguarda a cirurgia para retirada da mama e sua futura reconstrução.

Elizângela espera nunca mais ter a doença, nem que os filhos passem por essa situação. “Daqui para frente, eu quero viver! Não quero só acordar, quero viver! Fazer as coisas que a gente tem vontade. Eu planejo viagem, planejo estudo, trabalho minha mente para isso”.

Além disso, sonha com um futuro sem câncer. “Meu desejo é que amanhã apareça alguém e fale ‘olha, a gente tem a cura’, para a gente não ter que passar por isso”, completa.