11 de julho de 2026
PROFESSORES

‘A criança vê o professor como uma pessoa que ela venera porque estamos ali para ajudar'

Por Karla Rodrigues | Especial para o GCN
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Maria Regina Martins Carmozine em 2017, ano que aposentou da educação básica

Nas primeiras aulas de que tem memória, ensinava com afinco a tabuada para as crianças que ocupavam a sala. Paciente, explicava um a um a multiplicação como se já tivesse feito isso há anos, mesmo com apenas 6 anos de idade. Foi assim o início da experiência como educadora de Maria Regina Martins Carmozine, 66, atual professora do Centro de Educação Integrada (CEI) "Gustavo Chereghini Bichuette", em Franca.

Naquela época, a prima e primeira professora, Osana, levava os alunos com dificuldade em matemática para a casa de Maria. “Ela levava aquele monte de menino e eu ficava ajudando eles nas lições”, relembra. Para a professora, esse período, de alguma forma, motivou sua escolha pela pedagogia. “Quando você vive uma situação satisfatória, você deseja aquilo”, afirma.

Quando tornou-se professora efetiva na educação infantil, o dom pelo ensino floresceu ainda mais. “Eu gostava muito da alfabetização, de aplicar procedimentos diferentes para ensinar, principalmente, a matemática”, diz. A facilidade em transformar o aprendizado em algo próximo aos alunos surpreendia as colegas de profissão. Elas comentavam sobre o vínculo de Maria com a turma. “Eu tinha essa facilidade, me conectava com meus alunos”, pontua. Foram 33 anos promovendo aprendizados, mas também trocas. “Você vê alunos com dificuldade familiar e aprende a dar valor nas pequenas coisas”, relata.

O amor pela educação abraçou todos, mas os brilhos nos olhos aumentavam ao ver a evolução daqueles alunos considerados complicados. “Geralmente, essas crianças têm traumas. Quando conseguem ver o afeto por eles, mudam o comportamento”, enfatiza a professora. A transformação não ficava apenas na sala de aula. Muitas vezes, os pais procuravam ela para dizer como os filhos mudaram positivamente. “Isso é algo que eu guardo com carinho”.

Apesar da paixão por educar, a professora alerta para as dificuldades enfrentadas na educação. “É muita responsabilidade pegar uma criança sem ler, sem escrever. Você tem que dar condições para desenvolver os conhecimentos prévios, vê o que ela não tem e procurar meios para desenvolver. Ela é o possível doutor, advogado. Se não for pelas mãos dos professores, não chega em um determinado ponto”.

Ao longo da carreira, Maria aceitou o desafio da profissão em diferentes escolas de Franca, como a Escola Estadual Caetano Petráglia; Escola Estadual Prof.ª Josephina Zinni Almada; Escola Estadual Francisco Martins Coronel até se aposentar do ensino infantil em 2017 na Escola Estadual Adalgisa de São Jose Gualtieri. Nos últimos seis anos, Maria Regina passou a atender pessoas com deficiência, assim como no começo da carreira em Casa Branca-SP. “A gente trabalha pelo direito deles para que eles possam ter uma vida melhor. Isso me motiva. Eu comecei nessa área e vou terminar nela”, completa.