10 de julho de 2026
SUPERAÇÃO

Projeto da Sociedade dos Cegos de Franca revela jogadores em modalidade paraolímpica

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Poty com a equipe de goalball de Franca; no destaqe, Kaue (camiseta 4)

Um projeto realizado pela Sociedade dos Cegos de Franca (Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos) já é considerado modelo na cidade. Além da inclusão, superação, quebra de barreiras, o trabalho proporciona melhor qualidade de vida aos seus participantes.

Dentro de várias ações, a instituição vem mantendo um trabalho de recreação e esportes que já é destaque através da equipe de goalball. O time conseguiu acesso à primeira divisão do Estado e ainda vem revelando talentos para a seleção brasileira da modalidade paralímpica. 

Há nove anos, a professora Flaviana Marciana Olinto, a conhecida Poty - ex-jogadora de futebol feminino de Franca -, está à frente do projeto na instituição. “Nosso projeto já existe há muito tempo. O número de pessoas cegas hoje em dia é grande e precisa de apoio e de praticar atividades também”, disse Poty.

Ela conta que depois do acesso à Série A no ano passado, o próximo objetivo é buscar uma vaga para o Campeonato Brasileiro. O time vem disputando etapas regionais que oferecem vaga ao Brasileiro. “Nós participamos também de uma competição nacional regionalizada que se chama Sudeste II. Praticamente todos os estados estão neste campeonato. Cada estado tem seu regional que dá acesso ao campeonato”, destaca Poty.

A professora reforça a importância da atividade esportiva e a autonomia que o esporte proporciona aos deficientes. Ela cita nomes de Kaue Ferreira Eduardo, 20 anos, e Lucas Rodrigues, de 24 anos. “A gente tem revelado alguns atletas. O Kaue é nível de seleção brasileira, disputou o Mundial de Jovens Talentos (sub-20) na Austrália, sendo medalha de prata com a seleção brasileira. Lucas, também de nível de seleção, já foi para São Paulo, jogar pela equipe APDV”, disse Poty, acrescentando que a entidade está com as portas abertas para todos os interessados. “É um projeto muito legal que abre as portas para os deficientes visuais. Inclusive estamos fazendo buscas por novos atletas”.

O destaque da equipe, Kaue, reforça a importância do acolhimento da entidade e sonha em representar a cidade vestindo a camisa da seleção brasileira principal. “Jogar goalball foi o jeito que eu encontrei para sair de casa. Foi um jeito que eu encontrei para ser independente, tanto para andar quanto para competir. Quando eu fui convocado para a seleção de base para competir na Austrália, foi uma sensação incrível. O goalball me ajudou a ser uma pessoa com sonhos. É tudo na minha vida”.

Kaue destaca o trabalho desenvolvido pela entidade. “Foi importante eu ter encontrado lá (na Sociedade) a possibilidade de praticar o goalball, contando também com o apoio da família e minha esposa que me ajudou muito. Estar na série A do Paulista é um sonho que a gente realizou. É uma felicidade representar Franca nas competições”, finalizou o atleta. O projeto envolve homens e mulheres.

Como é praticado
Uma partida de goalball acontece entre duas equipes com três atletas cada com o objetivo de fazer gols. Durante o jogo os atletas têm a função de arremessar e defender. A bola arremessada deve tocar em determinadas áreas da quadra para que o lance seja considerado válido.

Na quadra
O esporte é praticado em uma quadra com as mesmas dimensões da quadra de vôlei (9m de largura e 18m de comprimento). De cada lado da quadra tem uma baliza de 9m de largura e 1,3m de altura. A linha do gol e algumas outras importantes para a orientação dos jogadores são marcadas por um barbante preso com fita adesiva, permitindo que os atletas possam tateá-las.

A bola
A bola usada para a prática do esporte é parecida com a de basquete. Ela pesa 1,250 kg e possui guizos em seu interior para que os jogadores saibam a sua direção.

Tempo de jogo
Uma partida tem dois tempos de 12 minutos cada e vence aquela que fizer mais gols. No entanto, o jogo pode ser encerrado a qualquer momento caso uma equipe alcance a diferença de dez gols no placar. Essa situação é chamada de game.

Quem pode praticar
É permitida a participação de atletas B1, B2 e B3. E todos jogam vendados para ficarem em igualdade durante a partida.