Samuel Lima Souza nasceu em 2 de agosto na Santa Casa de Franca e ainda não deixou o hospital. Ele foi diagnosticado já na gestação com hidronefrose congênita, uma anormalidade que afeta os rins e impede o fluxo normal de urina. Se a doença não for tratada adequadamente, os danos podem ser permanentes. Nesta terça-feira, 12, Samuel foi transferido para o HC Criança, em Ribeirão Preto, para realizar tratamento e cirurgia, que ainda não tem data marcada.
“Com dois dias de vida, levaram ele para a UTI. Ele já estava com um quadro de infecção de urina, causado pela condição de hidrofenose”, conta Maria Aparecida, tia do bebê. Desde então, segundo ela, foi colocada uma sonda vesical e ele vem sendo tratado com antibióticos, para o controle da urina e evitar futuras infecções.
A cirurgia necessária não pôde ser realizada em Franca devido à falta de equipamentos necessários, explica Daiane Lima, mãe de Samuel. Desde o dia 24 de agosto, ele aguardava uma vaga para cirurgia nos hospitais da região através da lista de espera do Portal Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviço de Saúde), mas já teve a cirurgia negada três vezes por não ser considerada de urgência, explica Daiane.
Enquanto espera pela cirurgia, Daiane divide seu tempo entre passar noites e manhãs no hospital com Samuel e tardes em casa com seu outro filho de 8 anos. A rotina do pai de Samuel, que trabalha como tratorista, não permite que ele visite seu filho durante a semana. "Ele só consegue ver Samuel nos finais de semana. Nos dias de semana, à noite, fica em casa com nosso outro filho", narra Daiane.
Os pais do recém-nascido contam com uma rede de apoio, que engloba avós, tias e amigos próximos. O medo de novas infecções caso o menino fique mais tempo no hospital fez amigos próximos da família começarem uma vaquinha online, conta tia de Samuel. O intuito é arrecadar dinheiro para a realização da cirurgia com urgência através de uma médica particular em Bauru. A quantia arrecadada servirá para custear a cirurgia, estadia, internação e materiais. “Se o Estado não fizer nada, nós mesmos vamos fazer”, diz Maria Aparecida.
Ao ser contatada, a Secretaria da Saúde de São Paulo informou que já foi solicitada a transferência de Samuel e que ele segue sendo monitorado e recebendo a assistência necessária para o seu quadro. Débora Santos, assessora de imprensa, explica que "a Cross é um serviço intermediário entre os serviços de origem e de referência. Seu papel não é criar leitos, mas auxiliar na identificação de uma vaga no hospital mais próximo, seja ele municipal, estadual ou filantrópico, e apto a cuidar do caso".
Até a postagem desta matéria, a Santa Casa de Franca não respondeu às mensagens do portal GCN/Sampi.