O Ministério Público deverá apresentar nos próximos dias recurso ao julgamento que inocentou o veterinário e fazendeiro Luciano Berteli de Figueiredo da acusação de mandar matar a ex-mulher Janaína Carrijo em abril de 2021. Na mesma sessão também foi absolvida Regiane Ferreira, apontada como intermediária da contratação dos assassinos.
A acusação contesta a decisão que livrou Luciano e Regiane da prisão por falta de provas no Tribunal do Júri, que durou dois dias da semana passada e aconteceu em Ribeirão Preto a pedido do MP, de forma a garantir imparcialidade na sessão. Ao fim, os dois réus foram absolvidos.
Tanto o MP quanto a polícia entendem que as provas apresentadas no julgamento são incriminadoras, em especial as ameaças e agressões do acusado contra Janaína, até mesmo gravadas em vídeo. As imagens foram exibidas na sessão, porém não convenceram os jurados.
Os advogados de defesa que atuaram no processo aguardam as manifestações da Promotoria. Clóvis Volpe, que representou Luciano, informou que, caso não seja apresentado o recurso dentro do prazo legal, o processo será certificado como trânsito em julgado, inocentando em definitivo os acusados.
O crime
A servidora pública Janaína de Oliveira Carrijo, que trabalhava no Fórum de Franca como escrevente, foi executada dentro de seu carro na noite de 15 de abril de 2021, na rodovia Ronan Rocha, enquanto voltava de Itirapuã para Franca com sua filha de 11 anos.
Após os disparos, a motorista perdeu o controle da direção do veículo que saiu da pista, subiu em um barranco e parou em uma vala de contenção de água de chuva. A criança não sofreu ferimentos.
Luciano foi preso três meses após o crime, sob a acusação de ser o mandante do assassinato, que teria sido encomendado pela quantia de R$ 20 mil. Regiane Ferreira foi apontada como intermediária da negociação, em que seu então namorado e um comparsa foram os executores. Os dois homens ainda estão foragidos.