10 de julho de 2026
EMPREGO FORMAL

Geração de emprego em Franca despenca 58% nos primeiros sete meses de 2023

Por Gabriel Garcia | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo/GCN
Setor calçadista enfrenta crise interna com altos juros e inflação, e externa, com baixa nas exportações e aumento nas importações

Apesar de 3.595 novas vagas de empregos criadas com carteira assinada em Franca neste ano, o número é bem menor do que o registrado no ano passado. O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), com as informações de julho, deixa explícita uma queda de 58,25% no número de contratados de janeiro a julho de 2023 em relação ao mesmo período em 2022, quando 8.612.

Mês após mês de 2023, Franca tem gerado menos vagas em relação ao ano passado. Em julho, último levantamento do Caged divulgado nesta semana, a queda foi a maior de todas, de impressionantes 93,63%.

Em julho de 2022, o município havia criado um saldo positivo de 1.446 novos empregos, divididos em todos os setores da economia. Já em 2023, o saldo foi positivo de apenas 92 novas vagas de trabalho.

Geração de novas vagas de emprego por mês

  2022 2023
JAN 2.407 1.470
FEV 1.605 1.110
MAR 804 227
ABR 590 265
MAI 1.210 182
JUN 550 249
JUL 1.446 92


Principais setores em queda
Os dados se tornam preocupantes, uma vez que, tradicionalmente, a indústria de calçados contrata no início do ano e demite em dezembro. O setor abriu neste ano 71% menos vagas em relação a 2022.

De janeiro a julho do ano passado, as indústrias da cidade registraram um saldo positivo de 4.232 empregos gerados, contra apenas 1.231 no mesmo período de 2023.

De modo geral, este ano segue com 34.079 francanos que tiveram a carteira assinada, enquanto outros 30.484 foram desligados de seus setores. O saldo atual é de 3.595.

O setor que mais registrou contratações foi a área de serviços, com 1.671 novos postos de trabalho abertos neste ano. Mesmo assim, também nesse setor a queda foi expressiva, de 49,24% - foram 3.292 novas vagas em serviços de janeiro a julho de 2022.

Setor de calçados
Em 2022, o acumulado de janeiro a julho no saldo do Caged da indústria de calçados de Franca somou 3.434 vagas. Neste mesmo período em 2023, o saldo de vagas do Caged somou 841, ou seja, uma queda de 75,50% na geração de novos postos de trabalho pelo polo calçadista francano.

A queda no número de pessoas empregadas pelo setor, porém, é menor. “Atualmente, temos 14.829 funcionários formais no setor calçadista de Franca, uma queda de 12,2% em relação a julho de 2022”, diz José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca (Sindicato da Industria de Calçados de Franca).

Segundo ele, vários fatores colaboraram para este cenário. "O que mais impactou foi a queda do poder de compra do consumidor, dada pela alta inflação e juros, em um cenário recessivo economicamente e de incertezas. Isso fez com que o varejo reduzisse suas compras, implicando em menos pedidos para as fábricas de calçados”, explicou o presidente do Sindifranca.

Ainda segundo ele, a recessão de economias internacionais, como por exemplo dos Estados Unidos, que é o principal importador, impactou negativamente as exportações de Franca. “Só no acumulado deste ano, as exportações de calçados de Franca para os EUA tiveram uma queda de 34,4%, comparado ao mesmo período do ano passado. Para se ter uma ideia, só o mês de julho de 2023 houve uma queda de 42,2% no total das exportações de Franca. Nos preocupa ainda o aumento vertiginoso das importações de calçados de couro, em 62,3%, que concorrem diretamente com o calçado de Franca”, disse.

As previsões para a cidade também não são muito otimistas. Caso não haja mudança no cenário econômico e tributário, a produção, que já está comprometida, pode despencar ainda mais. “O próximo trimestre será crucial para a sobrevivência do setor”, finalizou Brigagão.